Sabemos que a função principal da Cadeia de União é transmitir a todos os irmãos de uma Loja a “palavra semestral”, que nada mais é do que uma senha que mantém uniforme todos os Irmãos de uma mesma Obediência, seja ela o GOB, as Grandes Lojas ou os Grandes Orientes Estaduais. Cada Obediência possui, de forma independente, a sua palavra própria semestral.

Porém, para alguns maçons, a Cadeia de União, além de possuir esta função de transmitir a palavra semestral também carrega consigo um certo misticismo, a começar pela sua formação que é em círculo.
Pois um círculo representa um campo interno e, logicamente possui um ponto central. Para Albert Mackey este ponto central indica o sol, e o círculo o universo, que é revigorado e fertilizado pelos seus raios. Este pensamento também é compartilhado pelo escritor maçom Dr. Oliver, citado por José Ebram, que afirma que o círculo é o símbolo do Universo. A própria tradição cristã nos ensina a orar em um círculo. O autor Rizzardo da Camino afirma que na superfície deste círculo, desta circunferência, forma-se um “plano” ou um “estado de consciência” e exemplifica esta afirmação ressaltando que nas épocas primitivas as principais reuniões de Tribos eram em torno da fogueira sagrada, em círculo.

Hiran Luiz Zoccoli explica que, quando dispostos em círculo, os maçons se unem através das mãos, sendo seus braços cruzados sobre a base do tronco, o direito sobre o esquerdo; unem os calcanhares e tocam as pontas dos pés às pontas dos pés dos irmãos que estiverem ao seu lado. Ao lado do Venerável Mestre estarão o 2ª. e o 1ª. Vigilantes e a frente do Venerável Mestre estará o Ir.’. Mestre de Cerimônias, sendo os demais Irmãos distribuídos dentro deste círculo, desta cadeia.

Ali reunidos em círculo como uma corrente, onde cada irmão é um elo, surge então uma energia mental, formada pela unidade do grupo. Alguns autores ainda destacam que, para uma perfeita formação da Cadeia de União é necessário atentar para a luminosidade, o som e o perfume, os quais, se estiverem em profunda sintonia com o ambiente, trarão maiores efeitos para a meditação que ali poderá ser realizada. Os olhos devem estar fechados.

Entendo que para formação deste estado de consciência é necessário, ainda, um alinhamento da respiração, o que não ocorre de imediato, mas surge gradativamente, no silêncio, não sendo nem tão profunda nem tão curta, mas rítmica. O alinhamento da respiração alinhará também a energia mental do todo, que em um primeiro momento não é uniforme. Somente após este alinhamento é que surge a possibilidade de se iniciar um pensamento conjunto.

Dentro deste círculo concentra-se então uma força, que não se dispersa em razão da união física e mental dos irmãos. Este “campo de força” forma a “Egrégora”, ou seja, uma força espiritual criada pela energia mental e emocional dos irmãos. Heitor Durville ressalta que a geração de pensamentos nobres e puros, emitidos em comunhão verdadeira, purificam a inteligência e aumentam a energia.

Compete ao Venerável Mestre, ou a algum irmão por ele designado, guiar esta energia no sentido de fortalecer os seus elos (irmãos), ou destinar esta energia para alguém que esteja dela precisando.
Rizzardo da Camino ensina que esta energia, quando direcionada a alguém que não está no círculo, deslocam-se pelo espaço, tal qual o poder de uma oração. Para ele, este misticismo da Cadeia de União não se trata de uma experiência ocasional, mas sim de um fenômeno cultivado pelas múltiplas vezes em que é realizada. A cada nova formação, uma maior concentração de energias. A doutrina sustenta que, se devidamente organizada, será possível, inclusive, a unificação de energias de várias cadeias de união, que busquem o mesmo propósito.

Havendo necessidade de ajudar um irmão, é possível colocá-lo no centro do círculo, isolado, de olhos fechados, na postura do grau que se estiver trabalhando, para que possa receber a energia da corrente. Entendo ainda que será necessário alinhar o ritmo respiratório deste irmão ao do grupo, para um melhor resultado.

Não existe um tempo mínimo, nem determinado para a realização da Cadeia de União, mas ela deve ser realizada antes do encerramento dos trabalhos, ainda com o Livro Sagrado aberto. Após a sua formação, naturalmente o processo energético se inicia e, alcançados seus objetivos, percebe-se que deve ser terminado. Deve então o Venerável Mestre agradecer a proteção divina e a todos os irmãos pela participação. Ao final, quando todos estiverem com os olhos abertos e mentes livres será realizado o encerramento, onde todos exclamam em voz alta por três vezes: “Saúde, Força e União”.

Muitos maçons podem se questionar sobre este misticismo envolvendo a Ordem. Teria a maçonaria algo além do mundo físico? A resposta vem expressa em 02 dos 25 LANDMARKS que todo maçom deve respeitar. Um diz que o maçom deve acreditar na existência de Deus e o outro diz que o maçom deve aceitar a existência de uma vida futura. Estes preceitos são requisitos necessários para que um profano seja iniciado e provam que a maçonaria está ligada a conceitos extra físicos que buscam a perfeição do homem através do natural processo evolutivo de lapidação da pedra bruta em pedra cúbica.

Participar de uma Cadeia de União e negar as vibrações dela decorrentes é negar a existência da Inteligência Universal. O alinhamento sensitivo dos irmãos que integram a Cadeia de União colabora com a busca intensa pela fraternidade necessária entre os maçons, que se tocam, respiram e pensam como um só, quando ali reunidos.

Bibliografia:
– Maçonaria Mistica – Rizzardo da Camino
– Vade-Mécum do Simbolismo Maçônico – Rizzardo Da Camino e Odéci Schilling da Camino
– Maçonaria Esotérica (fundamentos) 1ª. Grau – Hiran Luiz Zocolli
– Magnetismo Pessoal – Heitor Durville
– Respirando – Expandindo seu Poder e Energia – Michal Sky
– O Simbolismo da Maçonaria Vol. 1 – Albert G. Mackey
– Uma Folha na Luz Astral- José Ebram
– Simbolismo do Primeiro Grau – Rizzardo da Camino

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