Este trabalho objetiva humildemente subsidiar os aprendizes sobre um pouco da história da Maçonaria e as colunas J e B que são de grande importância para todos os maçons. É entre as colunas que prestamos nossos compromissos para com a Ordem e na iniciação recebemos a luz e marchamos pela primeira vez. Lá também apresentamos vários trabalhos para aumento de salário e para engrandecimento espiritual de todos os irmãos.

As colunas representam a solidez de uma construção. Enfraquecê-las é ameaçar todo o edifício. Simbolicamente todos irmãos do quadro e os que partiram para o Oriente eterno são colunas de uma loja maçônica. Em uma loja maçônica encontramos 14 colunas, sendo as 2 colunas J e B e as 12 colunas zodiacais divididas igualmente nas colunas do Norte e do Sul.

Apesar da definição clássica, as Colunas B e J não têm e nem tiveram nos “tempos bíblicos” função de sustentação; são colunas decorativas, por isto, o que importa é sua representação – alegorias contidas nas instruções de cada Grau. Resumidamente podemos abordar que a significação das romãs sobre os capitéis das colunas J e B indicam os Maçons dispersos pela superfície da terra; suas sementes intimamente unidas nos lembram a fraternidade e a união que devem existir entre homens. Com relação aos globos, interpretamos que um representa a terra e outro representa a esfera celeste, expressando a universalidade da Maçonaria (GOEMT, 2006).

Vários irmãos aprendizes desconhecem porque as colunas J e B não seguem um padrão de posicionamento nas lojas, sendo que algumas estão fora do templo e outras dentro, além da coluna B estar à esquerda de quem entra e em outras lojas à direita.

Sabe-se que as colunas J e B foram introduzidas na Maçonaria seguindo o modelo da lenda que descreve o templo de Salomão, erguido por ordem divina. Conforme relatos da bíblia, Salomão começou a construção do templo e “levantou colunas, uma à direita e outra à esquerda da fachada do templo: chamou a da direita Jaquin e a da esquerda Boaz.” (II Crônicas, cap. 3, v. 17) e “Hirão levantou as colunas no pórtico do templo; à direita que chamou de Jaquin e a esquerda, que chamou de Boaz”(Jaquin significa ele (Deus) consolida; Boaz significa nele está a força)(I Reis, Cap. 7, v. 21-22, BIBLIA SAGRADA, 2006).

Na construção do templo de Salomão, Hiram Abif adornou as colunas do templo concedendo três das cinco ordens da arquitetura: a Jônica, para representar a sabedoria, a Dórica, significando força e a Coríntia, significando a beleza (PINTO, 2008). Atualmente, a reminiscência das colunas J e B estão nos templos maçônicos, visto que o Templo de Salomão foi destruído por Nabucodonosor em 586 a.c, quando suas tropas tomaram a cidade de Jerusalém. Mesmo após a sua reconstrução, ocorrida cerca de 60 anos mais tarde por ordem de Zorobabel, a graciosidade e suntuosidade perderam-se no tempo.

O Templo Maçônico não é, e nunca foi, como muitos insistem em “arraigar” nas mentes dos Aprendizes, réplica do Templo de Salomão. As reuniões de nossos antigos irmãos, no período de transição da Maçonaria operativa para a dos Aceitos ou Especulativa, eram realizadas nas Tabernas e nos Átrios das Igrejas. Os primeiros Templos Maçônicos foram construídos na Inglaterra, no século XVIII por projetos inspirados nas arquiteturas dos prédios públicos da época, principalmente, dos Templos Anglicanos e o do Parlamento Britânico. Destes se originam o Átrio, o Mosaico, as Colunas, etc., Inclusive a Sala dos Passos Perdidos copiada do Parlamento e, até os dias de hoje existe e assim é denominada (LEITE, 2013).

Costumamos dividir a Maçonaria em duas fases distintas: a Maçonaria Operativa, que perdurou até o séc XVIII-XIX e que se caracterizava pela presença exclusiva em seus quadros de pedreiros profissionais e a Maçonaria Especulativa, mais recente e composta por membros de diversas correntes filosóficas, teológicas e de profissões distintas, como ocorre atualmente. Até esta fase de transição, existiam somente os graus de aprendiz e companheiro, sendo o venerável chamado de Mestre da loja, cargo temporário da administração da loja e não um grau como ocorre atualmente.

Como já mencionado anteriormente, na fase operativa os irmãos se reuniam em tabernas e, diante do exposto, não existiam colunas previamente construídas. As mesmas eram desenhadas com carvão e giz no chão e posteriormente foram bordadas em tapetes para facilitar os trabalhos. Até então as lojas eram independentes uma das outras e não havia uma administração central ou sistema federativo de organização das lojas.

Naquela época (Séc. XVIII), algumas lojas encontravam-se para festejar as festas de solstícios de verão no hemisfério Norte (22/06) formando uma grande reunião. Essa idéia de reunião evoluiu rapidamente para formação de um novo corpo e a Grande Loja deixou de ser a organizadora de banquetes anuais para assumir características novas, em um corpo regulamentador de procedimentos, inserindo um conceito até então inexistente, a da obediência maçônica. As quatro tabernas que formaram o embrião da atual organização em lojas da Maçonaria moderna foram a taberna A Grelha e o Ganso, a estalagem da macieira, a estalagem da Coroa e na taberna do Copázio e das uvas. A união destas 4 lojas formaram a Grande Loja de Londres, com data de inauguração em 24 de Junho de 1717 EV, dia de São João (MINGARDI, 2008).

Infelizmente, em 20 de Outubro de 1730 o maçom perjuro Samuel Prichard escreveu um livreto-revelação intitulado Mansonry Dissected (Maçonaria dissecada) em um jornal profano em Londres, revelando a posição das colunas J (direita) e B (esquerda), bem como sinais e toques, abalando o mundo maçônico da época. Consequentemente, um grande número de profanos adentrou nas lojas maçônicas, e para evitar a entrada dos mesmos, ocorreu a inversão das palavras sagradas e das colunas B e J, de forma que Boaz passou a ser a palavra de aprendiz (XICO TROLHA, 1997).

Essas mudanças além de outras, defendidas pelos chamados Maçons modernos, de origem profissional diferente dos pedreiros profissionais, ocasionou uma dissidência na recém formada grande loja de Londres, criando dois grupos, os chamados Antigos que defendiam a manutenção da tradição e os modernos, adeptos da nova mudança. Somente em 1813, quando os grãos mestres das duas potências adversárias eram irmãos, ocorreu uma nova fusão das duas vertentes existentes (Antigos e Modernos), com a fundação da Grande Loja Unida da Inglaterra. Entretanto, alguns ritos mantiveram as mudanças, ao passo que o recém criado rito Escocês manteve a tradição. (Maçonaria descristianizada), justificando as diferenças até hoje vistas com relação à posição das colunas J e B.

Conforme afirma Xico Trolha (1997), os aprendizes sentam-se na coluna do Norte, porque diz-se que deste lado não entra luz. Na verdade, o lado Norte foi assim chamado porque o templo de Salomão possuía apenas três portas: os lados Sul, Oeste e Leste. Até hoje se verifica em alguns cemitérios antigos que os criminosos, suicidas, condenados e aqueles considerados sem moral e honra pela igreja eram enterrados do lado norte, simbolizando que ali era o lugar de almas ignorantes e que estavam na escuridão.

A Maçonaria recebe os aprendizes no lado norte porque ainda os considera brutos e não lapidados. Com o decorrer do tempo, a lapidação ocorre e o novo homem surge, livre pensador que percebe as verdades morais e universais, utiliza a razão e passa a ter o entendimento que as diferenças são apenas uma particularidade da família humana, adquirindo conhecimento para auxiliar na formação de uma sociedade menos obtusa e mais equilibrada.

Poderíamos discorrer longamente sobre as colunas J e B e sua significação. Entretanto, pretende-se com este relato “apenas” despertar a curiosidade e o desejo de que os aprendizes busquem novos conhecimentos a fim de aprimorar o espírito humano. Somente com a busca incessante e a leitura cotidiana, “acenderemos o interruptor interno que todo homem possui”(fagulha divina), e alcançaremos o nobre objetivo da maçonaria de transformar o ser humano, tornando-o senhor de si mesmo, verdadeiramente livre, luz para a humanidade.

BIBLIOGRAFIA:

– BÕBLIA SAGRADA, Ed. Ave Maria, 171 Ed., EdiÁ„o Claretiana, 2006, S„o Paulo – SP, 1632p.
– LEITE, H. P.MA«ONARIA:  AS COLUNAS “B” E “J” – RITO ESCOC S ANTIGO E ACEITO, NO GRANDE ORIENTE DO BRASIL.

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