Para Nietzsche, por exemplo, a verdade é um ponto de vista. Ele não define nem aceita definição da verdade, porque não se pode alcançar uma certeza sobre a definição do oposto, da mentira. A maioria das Fraternidades e grupos operativos existentes na Escócia no Século XVII, como os Jardineiros Livres; Pescadores livres; Comerciantes Livres e mais algumas fraternidades de profissionais livres, forneciam assistência financeira a seus membros, além de atividades iniciáticas e cerimoniais.

Sabe-se, por uma variedade de fontes, que, por exemplo, os Jardineiros Livres reservam algumas de suas receitas especificamente para fins de caridade.
Tal caridade foi exclusivamente destinada aos membros desses agrupamentos e suas famílias. No entanto, antes da existência de bancos, essas fraternidades tinham um método diferente de manter o dinheiro seguro e isso era quase sempre feito na forma de uma caixa muito parecida com as fotos que ilustram essa matéria.
Segundo esse trabalho, as Lojas Maçônicas possuíam “caixas” de madeira maçica e mantinham o seu conteúdo seguro, pelo uso de fechaduras de ferro que, na época, seriam similares a um cofre.

Estas caixas possuíam duas chaves de bloqueio que eram bem diferentes entre si. Essas caixas geralmente tinham três fechaduras com três chaves diferentes. O objetivo de ter chaves diferentes, seja duas ou três, era que diferentes membros da Loja possuíam uma chave. Isso significava que a caixa só poderia ser aberta quando os dois ou três membros da Loja estivessem presentes e concordassem que fosse aberta. O significado dos três membros da Loja possuírem chaves diferentes era da necessidade de estarem presentes e concordar em abrir a caixa. E seguindo este raciocínio os três deveriam concordar e fiscalizar o destino do dinheiro.

Os membros da Loja que possuíam as chaves para a caixa da Loja eram conhecidos como ‘Boxmasters’

E todos os membros, ou quase todos, estão gravados ou registrados como tal em inúmeros Livros dos registros maçônicos escoceses do século 17. Embora a caixa da Loja tivesse dinheiro, também servia para outros propósitos. Principalmente, foi usada como um banco, quando os Irmãos que experimentavam tempos difíceis ou dificuldades financeiras poderiam emprestar dinheiro da caixa (desde que, claro, houvesse fundos suficientes disponíveis). Uma nota (texto) do mutuário seria colocada na caixa para certificar o montante que havia sido emprestado. Isso normalmente era confirmado pelos Boxmasters e a “transação” registrada nos Lodge Minute Book. A falta de pagamento do valor emprestado em uma determinada data geralmente levava a uma pequena multa cobrada sobre o mutuário.

O empréstimo da caixa da Loja não parece ter registros de que juros fossem cobrados, apenas uma pequena multa. A caixa era para ajudar os membros da Loja, mas não funcionava da mesma forma que os bancos de hoje. Embora a caixa da Loja tenha servido como um lugar seguro para manter o dinheiro real e ou documentos importantes, logo se tornou o único lugar onde todo o material importante pertencente à Loja poderia ser colocado em segurança, assumindo que tais itens poderiam se encaixar fisicamente na caixa.
Seguindo este breve resumo da função da caixa da Loja, este artefato particular é descrito brevemente. A caixa é feita de Yew (Teixo). As dimensões são de três pés ou 0,90cm  de comprimento; 18 polegadas de largura e 21 polegadas de altura (todos os tamanhos são aproximados). A espessura da madeira é de cerca de uma polegada, mas não é uniforme em todas as partes. É muito pesada – muito pesada para nossas escalas! Yew é uma madeira muito densa, portanto, o peso.

Na frente, a madeira de Yew foi embutida como uma madeira preta formando a data 1670. Esta é uma frente falsa que, uma vez a tampa aberta, pode ser deslizada para cima e completamente removida. Uma vez feito isso, duas gavetas secretas são reveladas com alças para puxá-las pelo Boxmaster. A existência desses dois desenhos secretos nos informa que sua existência era para o uso dos Boxmasters, pois, quando a tampa da caixa é levantada, não há indicação dessas gavetas. Somente medindo as dimensões externa e interna, pode-se perceber que essas gavetas secretas existiam.

Existem dois pontos de fechamento na parte frontal da caixa, acima da data embutida ‘1670’. As duas fechaduras são distintamente diferentes.
Embora, tenham sofrido desgaste, através do tempo, e bastante corroídas (oxidadas), as chaves e os bloqueios funcionam o suficiente para tornar impossível abrir a caixa sem usar ferramentas modernas.

A tampa da caixa é articulada e as duas chaves são necessárias para destravar a tampa.
O que é interessante é a tampa, onde há dois símbolos maçônicos embutidos. Um Esquadro e um Compasso.
Até agora, pode-se perguntar se alguém sabe qual Loja originalmente possuía esta caixa?

Felizmente, devido à diligência do trabalho do Prof. David Stevenson, e sua transcrição do Lodge of Aberdeen Mark Book, há poucas dúvidas de que esta caixa é a primeira de The Lodge of Aberdeen. Os símbolos utilizados na tampa da caixa são idênticos aos mostrados no livro de marcação. A data “1670” na tampa da caixa é notavelmente semelhante em estilo e sugere que o indivíduo que se descreve como “Glazier – 1670” – James Anderson (sênior) (pai do autor James Anderson (júnior) da Grande Loja da Inglaterra “Constituições”, 1723) não era apenas responsável por criar o Aberdeen Mark Book, mas também fazer uma caixa na qual ele deveria ser mantido. Impossível não fazer um paralelo com o “tronco de Solidariedade” praticado no R.E.A.A. hoje. Os pontos interessantes são:

Poucas Lojas se utilizam do Tronco para o auxílio direto dos obreiros. Isso é uma triste realidade. As Lojas parecem estar se afastando do princípio do uso do tronco para ajuda dos Irmãos, desde que em justa necessidade. No Ritual de Aprendiz-Maçom, na Sessão Magna de Iniciação, o Irmão Orador usando da palavra para explicar o Tronco de Solidariedade, lê que o Tronco se destina a fazer beneficência, ou seja, para fazer o bem, mas sem detalhar a quem, e em que circunstâncias fazê-lo. Nesse sentido, complementa o art. 24 da Constituição do GOB inciso IV, estabelecendo como dever das Lojas Maçônicas, “prestar assistência material e moral aos membros do seu Quadro, bem como aos dependentes de membros falecidos, que pertenciam ao seu Quadro, de acordo com a possibilidade da Loja e as necessidades do assistido”. Assim, o Tronco de Solidariedade se constitui numa espécie de Fundo de Reserva da Loja, para fazer face à eventual necessidade de assistência material a Irmãos e a dependentes de Irmãos falecidos, pertencentes ao Quadro.

Logo, a primeira conclusão é que o Tronco de Solidariedade não se destina a fazer filantropia ou beneficência no mundo profano, e sim, para atender, ante o espírito de solidariedade, aos Irmãos e dependentes de Irmãos falecidos, em caso de urgência devidamente caracterizada e dentro das possibilidades das Lojas.
Um segundo aspecto da mesma questão, refere-se à filantropia. Seria esta uma obrigação das Lojas Maçônicas? Como já referido acima, a filantropia diz com o sentimento de caridade e amor à humanidade.

O art. 1º da Constituição do GOB define a Maçonaria como “uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista”.
Resumidamente, podemos afirmar que a Maçonaria é iniciática, porque só pode ser maçom quem for iniciado; é filosófica, porque o seu objetivo final é a busca da Verdade; é progressista e evolucionista, porque não se opõe a todo o progresso científico e tecnológico que melhore as condições de vida da humanidade.

Nesse contexto, insere-se, ainda, que a Maçonaria é uma instituição filantrópica, restando saber, todavia, como e em que medida esta atividade será levada a efeito.
No Capítulo IV da Constituição do GOB, que trata dos deveres das Lojas, não consta a filantropia como uma obrigação destas; já o Capítulo II que aborda os deveres dos maçons, no art. 29, incisos VIII e IX, estabelece que, o maçom deve praticar o bem, a tolerância e a solidariedade humana, e, quando no exercício de cargos de representação popular, observar os princípios apreendidos na Maçonaria, ante os problemas sociais, políticos e econômicos, tendo em mente o bem-estar do homem e da sociedade.

De tal modo, a conclusão que se chega é de que não é uma obrigação da Maçonaria praticar diretamente a filantropia no mundo profano. O verdadeiro objetivo da nossa Ordem é formar em seus quadros, líderes que possam influir de um modo ou de outro na criação e desenvolvimento de obras assistenciais nas mais diversas formas. Nossos irmãos não propalam e não se gabam desses feitos, porque seguem aqueles princípios da Ordem segundo os quais: o que a mão direita faz a esquerda não vê, ou, a filantropia não pode cobrir de vergonha a quem recebe, nem servir de orgulho a quem a oferece.

Referencia Biográfica:
– The Grand Lodge of Antient Free and Accepted Masons of Scotland
– https://www.tripadvisor.co.uk/LocationPhotoDirectLink-g186487-d210323-i51337644-Aberdeen_Maritime_Museum-Aberdeen_Aberdeenshire_Scotland.html

Sobre o Autor

ARLS Obreiros da Paz, nº 2909 - Oriente Pinhais • GOB/PR

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