Um dos objetivos fundamentais da Maçonaria é, e sempre foi, a luta para que todo ser humano tenha garantido o seu direito à liberdade. Mas então, reflito: Qual liberdade? Que liberdade é essa? Para que ela serviria? Por que razões? Por quais motivos? De que forma é esta liberdade, enfim?

Bem, assim, após a leitura dos livros listados na bibliografia desta peça de arquitetura, concluí que somente existe liberdade se esta liberdade for uma liberdade plena e que para se atingir esta liberdade plena é necessário que o ser humano ultrapasse barreiras ou suba determinados degraus.

Penso que a primeira barreira ou degrau para um ser humano começar a atingir esta liberdade plena seria ter condições de acesso à aquisição de conhecimento, seja por meio de uma educação técnica ou seja por meio de uma ampliação em sua formação cultural. Ser humano que não adquire conhecimentos técnicos, formais, culturais, sociais, etc. tem mitigado o conhecimento sobre o que os outros seres humanos pensam e sobre a realidade à sua volta. Penso desta forma, em razão de que quando o ser humano aumenta o seu nível de conhecimento ele amplia os horizontes, por passar a conhecer um número maior de entendimentos de outras pessoas sobre determinado objeto analisado. Chamaria este primeiro degrau de liberdade de acesso a informação.

Porém, não basta ao ser humano apenas adquirir conhecimento pelo estudo técnico ou inúmeras leituras, experiências ou vivências, se ele apenas permanece no estágio de repetir o que as outras pessoas escreveram ou afirmaram como verdades a serem seguidas ou aceitas. É também preciso que após o estágio de aquisição de conhecimento ele ultrapasse a segunda barreira que é a da digestão deste conhecimento adquirido, filtrando-o, analisando-o e, por fim, chegar às suas próprias conclusões sobre determinado paradigma. O ser humano que chegar a este estágio passará não mais a ser um porta-voz de obras alheias ou um replicador de idéias ou pensamentos dos outros mas, sim, alguém que após digerir o que leu, viveu ou experimentou, passou a pensar por si próprio e pôs a sua ótica sobre o problema, concordando, ou não, com a posição do autor ou com o que tenha sido apresentado como uma verdade a ser aceita, mas posicionando-se por seus próprios fundamentos. Chamaria este segundo degrau de liberdade de pensamento ou aquisição de pensamento próprio.

Por fim, creio que a terceira barreira para se atingir uma liberdade plena é ter o ser humano condições materiais e concretas de não depender, fisicamente ou economicamente, de outros seres humanos ou, então, que esta dependência seja o mais reduzida possível. Ser humano que possui limitações físicas, mentais ou até mesmo financeiras, infelizmente, não possui ou tem mitigada a sua liberdade de ação, pois se sabe pelos ditos populares que “quem não tem barriga cheia não tem liberdade”. Liberdade plena para mim seria isto: seria a soma da liberdade de pensamento com a liberdade de ação.

Assim, creio que, como maçons, nosso dever é nos esforçarmos, para, dentro das limitações que nos são impostas, trabalhar para que todo ser humano que esteja ao alcance de nosso raio de ação primeiramente tenha acesso a informação, para que este, em um segundo momento de estágio, possa pensar por si mesmo e não bastando isso tudo, que possamos propiciar-lhe as condições de exercer a sua liberdade em um nível mais próximo possível de igualdade com as outras pessoas, como se espera que seja uma sociedade democrática em que todos sejam iguais, não somente para a lei, mas também para o exercício pleno da liberdade.

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