Ao lapidarmos nossa Pedra Bruta é necessário, antes de qualquer coisa, ter em mente que nossa consciência não é apenas o sentimento ou percepção do que se passa em nós ou da voz secreta da alma que aprova ou desaprova nossas ações. É também a maneira de entendermos as coisas com sinceridade, justiça, retidão, conhecimento e cuidado com que se executa determinado trabalho ou se julga determinada ação.

A consciência não deve deixar dúvidas sobre nossos procedimentos junto aos demais, onde devemos sempre pensar nas consequências dos nossos atos, pois nem sempre nossos valores são iguais aos dos outros

No antigo templo de Salomão, havia oculto por trás de um altar, segundo conta a história do povo de Israel, um lugar chamado Santíssimo, e nele só entrava, e uma vez por ano, o Sumo Sacerdote.

No ser humano não é diferente. Também existe esta moradia, e cuja profanação nunca devemos consentir. Devemos manter este lugar muito mais sagrado do que nossa própria vida. Ali estão, como num sacrário, a pureza, a paz, a honra, o amor e a justiça. Ali também reside tudo quanto há de mais importante em nossa vida, e enquanto mantivermos este lugar protegido e incólume, seremos sempre senhores de nós mesmos.

É sempre possível nos envolvermos com toda sorte de imprevistos, e quem for honrado e fiel consigo mesmo, poderá suportar, até com indiferença, esta situação. Mas, se desviar do caminho da retidão, profanará o lugar santíssimo da sua consciência sem que possa encontrar quem seja capaz de ajudar a reconstruí-la.

Aqueles que não perderam o sentimento da honra e sabem respeitar-se, seguem os caminhos serenos e tranquilos, sem que tenha necessidade de se dobrarem, tendo essas pessoas a aprovação da sua consciência, o que não ocorre para os maledicentes, cuja consciência é elástica, possuindo habilidades de sobra para ajustá-la às suas conveniências pessoais.

Certamente um selvagem não sentirá remorsos por devorar um infeliz caçador que lhe caia nas mãos, nem deixariam de serem insensíveis os algozes que no altar horrendo do fanatismo, sacrificavam suas vítimas. Mas isto se explica, ainda que não justifique, ao considerar que a consciência humana está sujeita, como o universo inteiro, à lei suprema da evolução, que tem tantos graus quantos os compreendidos pela grande escala em cujos extremos estão o infinito BEM e o finito MAL.

Desta forma, nasce a necessidade de distinguirmos na consciência humana um estado superior que corresponde à individualidade e outro inferior correspondente à personalidade, onde estes estados oferecem à análise psicológica uma grande variedade de nuances, de modo que cada grau inferior muitas vezes é inconsciente a respeito do grau superior, o que nos possibilita conhecer não só nós mesmos, como também ao mundo que nos rodeia.

O conhecimento do mundo exterior é a consciência mental, cujo grau de evolução depende da soma de conhecimentos adquiridos pela observação e experiência dos fatos e fenômenos da natureza, e que muitas vezes nem todos se encontram na mesma etapa de evolução: enquanto alguns têm as faculdades intelectuais ainda adormecidas, outros as têm em plena atividade.

O desenvolvimento destas faculdades tem as suas graduações, provendo-nos das diferenças nas opiniões, crenças e conceitos, quase sempre discrepantes, que as pessoas formam sobre um mesmo conhecimento.

Assim, quem deseja conhecer a si mesmo, precisa saber que a voz da sua consciência é suscetível de um tom mais elevado que aquele que ressoa nos nossos ouvidos e, se acreditar que aquela voz já chegou ao ponto mais alto da verdade e à culminância do bem, engana-se, porque enquanto estivermos neste mundo, nunca estaremos permanentemente em paz com nossa consciência. Teremos sempre de nos examinar interiormente para ver se encontramos alguma injustiça naquilo que nos parece justo, alguma falsidade no que reputamos verdadeiro e alguma ilusão naquilo que nos afigura real.

Aquele que realmente estiver resolvido a conduzir-se de forma consciente deve pautar sua conduta nos pontos que coincidam com a justiça e harmonia que lhe dita a voz da sua consciência, e se não tiver esta defesa, não espere desfrutar a verdadeira paz e nem obter êxito durável.

Há dentro de cada um de nós alguma coisa que nos convida a fazer o melhor que pudermos.

No nosso interior ressoa uma voz misteriosa. Em tom suave, que aprova e aplaude os nossos melhores esforços, e nos condena quando fazemos menos do que nos é possível…

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