Um dos deveres do Maçom é deplorar os que erram, mas esforçando-se para reconduzi-los ao verdadeiro caminho. A expressão “deplorar” na forma como se apresenta, significa revelar inconformismo, incômodo, desagrado, como quem, por exemplo, deplora os erros de um agente político. Porém, parece-nos mais importante a segunda parte deste dever, que é não cair em crítica inócua, mas se esforçar para reconduzir os que erram ao verdadeiro caminho. Sabemos que, ninguém pode evoluir pelo outro, principalmente quando o outro não tem o desejo ardente de assim fazê-lo, logo, este dever do Maçom deve ser interpretado como o empenho para, por meio do exemplo, da busca pelo acerto, em agir de acordo com as Leis Divinas que, estão presentes na consciência de todos os seres humanos, incentivar, aquele que erra a voltar ao caminho do bem, do bom e do belo, mas, também, de se perdoar e não cair em culpa improdutiva se porventura tropeçar no caminho da evolução moral.
Esse dever, arrimado na importância do exemplo, nos remeteu a recentes fatos ocorridos no meio desportivo brasileiro. Ocorre que o Brasil vibrou com a vitória do judoca peso-pesado David Moura, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos realizados em Toronto, Canadá. Na final, o mato-grossense arrasou, ou, como diz a garotada, ele atropelou seu adversário ao iniciar aplicando um golpe considerado de sacrifício, mas com tanta perfeição que a luta logo se encerrou.

Isso nos faz refletir: o que difere o jovem David Moura dos jovens chamados de “zumbis”, ou “nóias”, que vivem nas cracolândias? A força do exemplo de seu pai, medalhista nos Jogos Pan-Americanos de 1975. David diz que cresceu ouvindo as histórias dos treinos, viagens, lutas de seu pai, Fenelón Oscar Müller. Certamente, se o pai do nosso medalhista de ouro tivesse exemplificado a vida de abuso de álcool e outras drogas, como fazem, infelizmente, a maioria dos pais, não teríamos vivido este momento de conquista-êxito no esporte.

Na mesma noite, outro caso de pai e filho emocionou os brasileiros afeiçoados ao esporte. Após conquistar todos os títulos possíveis como jogador de futebol, tanto em clubes, quanto pela seleção brasileira, sendo considerado, inclusive, o melhor jogador do mundo, Rivaldo se aposentou e se tornou presidente do Mogi Mirim, clube que o revelou. No entanto, diante da necessidade de jogadores e da falta de dinheiro para a contratação de reforços, ele voltou a atuar como jogador num momento em que seu filho Rivaldinho também joga naquela equipe. E para a felicidade de ambos e dos torcedores, em 14 de julho de 2015 eles jogaram juntos e, conforme o jargão futebolístico, “comeram a bola”, marcaram três gols e conseguiram a vitória.

Foi fácil para Rivaldo chegar aonde chegou, no lugar em que hoje vemos Messi ou Cristiano Ronaldo? Por que motivo ele pode, aos 43 anos de idade, voltar a jogar uma partida de futebol profissional? É claro que não foi fácil alcançar tantas metas, muito menos voltar a atuar como atleta profissional já com a idade considerada muito avançada para tal esporte. Trata-se de um atleta que, mesmo curtindo a vida de modo saudável, sempre renunciou aos excessos de certas baladas, de noitadas, à vida que seus colegas consideram como sendo a normal, razão pela qual seu filho segue o mesmo caminho e, quiçá, terá muita felicidade em sua trajetória. Ora, para todos os seres humanos, sobretudo para os jovens, é mais um caso de ousadia, de optar pelo caminho do bom senso e do respeito ao maior presente que Deus nos concedeu, a vida; bem como ao corpo físico.

No entanto, a história das Irmãs Vicente é o que mais nos chama a atenção, ainda mais nestes dias nos quais nos deparamos diariamente com tantas informações negativas relativamente aos crimes entre adultos e jovens, pois a droga está na raiz de quase todas as mazelas atuais na sociedade. Luana e Lohaynny Vicente se tornaram vice-campeãs Pan-Americanas de badminton, um feito inédito para o Brasil. Elas são filhas do traficante Bodão, conhecido como dono Chapadão, no Rio de Janeiro. Como era constantemente perseguido pela polícia, Bodão chegou a mudar-se 15 vezes num ano e sempre levava sua mulher e as filhas para novo esconderijo. Morto numa das operações, em 2002, sobrou o trauma para as meninas estigmatizadas. Mudaram-se para a favela da Chacrinha e foram acolhidas por um projeto social que passava a adotar a prática de um novo esporte, o badminton. Aprenderam, suaram muito em seus treinos e os resultados estão sendo colhidos.

Tais histórias comprovam a importância do exemplo familiar, tanto para o bem, quanto para o equívoco. Mas também demonstram que é possível recuperar vidas desviadas de um caminho de equilíbrio, trabalho, paz, saúde, religiosidade e ética. O esporte é fundamental para tanto, assim como os projetos sociais maçônicos ou profanos, governamentais ou não, eis que o esporte adequadamente ministrado é uma medida de educação e prevenção.

Prevenção é a palavra de ordem! Muito mais barata para a economia financeira e emocional das famílias e da coletividade. É verdade que não se mudam costumes do dia para a noite, que não se cavam masmorras ao vício sem muito empenho, perseverança e disciplina, mas é preciso que comecemos a enxergar a vida a longo prazo, sem deixar de cuidar de situações imediatas. Até quando continuaremos perdendo tempo e recursos financeiros com medidas que apenas atuam nas consequências, ao passo que deveríamos investir nas causas, semeando com planejamento?

Ainda bem que temos o esporte. O esporte “faz a cabeça”. O esporte, amador ou de alto rendimento, produz prazer físico e mental. Salve o esporte! Salve nossos atletas e os bons exemplos de seus pais! Gratidão ao G∴A∴D∴U∴ que nos empresta tempo para evoluir sem cessar e nos concede bons exemplos, bem como oportunidades para também, pela força do exemplo, reconduzir os que erram a retornar ao caminho do amor que educa.

Sobre o Autor

ARLS Cavaleiros Templários do Terceiro Milênio n° 33 GLEMT - CMSB Oriente de Cuiabá

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