“Satyagraha (força da verdade) é uma força que os indivíduos e as comunidades podem ter, tanto pra questões políticas quanto particulares. Sua aplicação mostra a durabilidade e a sua invencibilidade. Homens, mulheres e crianças podem exercê-la completamente” – Gandhi

O que é a verdade?

Esta pergunta foi feita por Pôncio Pilatos para Jesus. Ele na- quele momento nada respondeu a pergunta que caminha pelos séculos, em busca de uma resposta. O que é? Onde encon- trar? Como conhecer? Como saber? O Maçom primordial- mente busca uma resposta para este enigma o que é a verdade e como exercê-la. Sua vida pauta-se no encontro de ações e atitudes comprometidas com o pleno exercício da liberdade de opinião e responsabilidade no agir.

A Verdade é um dos pontos primordiais da – loso a, que re ete sobre sua validade e até sua existência. O tema da verdade atualmente, está em relação direta com a maneira de entender as transformações neste mundo dinâmico e contradi- tório. Esta busca se faz através de perguntas: onde está a verdade das coisas? Será que a realidade me mostra tudo ou será que vivemos num mundo de convenções, que a qualquer momento eu posso ver com outros olhos esta realidade?.

Segundo o dicionário Aurélio, a verdade é “tudo que é verdadeiro ou real”, mas como sa- ber o que é verdadeiro?. Como de nir esta adequação do pensamento aos fatos ou aos conhecimentos que se pretendem exprimir?.

A verdade é tida como algo que é justo, exato e do que é real.
O conceito de verdade desempenha na lin- guagem um signi cado do que é permanen-
te, deste modo, a ciência tem como um dos pressupostos que ela só tem validade quando
é comunicada, assim a verdade é indissociável da sua verbalização. A linguagem, deste modo, tem um papel determinante no seu des- velar. Contudo, A lógica que utilizamos para apro- ximar-se da verdade é também um discurso passível de questionamento. Então não é uma tarefa fácil, mas também não é impossível.

Os contrários se complementam – Neils Bohr

Um grande físico dinamarquês Niels Bohr acre- ditava que a realidade subatômica era o resultado de forças que se interagiam. Ele ganhou o prêmio Nobel pela descoberta do movimento coletivo e movimen- to individual de partículas no núcleo atômico e pelo desenvolvimento da teoria da estrutura do núcleo atômico. Ele defendia a ideia da complementaridade, onde a nossa realidade é complementar à realidade das partículas, existindo assim, uma bi-polaridade que se interage, ele dizia sempre que “o contrário de uma grande verdade poder ser outra grande verdade” tanto que em seu brasão ele colocou o sím- bolo chinês do Yin Yang cercado por uma frase em latim “Contraria sunt complementa” os contrários se complementam deste modo, o conhecimento da ver- dade , não pode dispensar o contraditório.

Segundo ele, há uma estrutura imbricada na es- sência das coisas que faz com que, mesmo sendo as informações que captamos da realidade algo contra- ditório, paradoxal, elas podem estar ligadas de algu- ma forma, e elas se complementam, por isso, a ver- dade plena será aquela que aceita esta dualidade, a mesma que os físicos quânticos descobriram sobre a luz na sua dualidade onda-partícula.

A verdade na loso a clássica teve em Aristóteles um grande pensador, enquanto em Sócrates a sua maiêutica fazia a verdade aparecer de dentro do próprio interlocutor. Aristóteles acreditava que po- demos chegar até a verdade através de formulações e frases suscetíveis de serem verdadeiras ou falsas comprovadas pelo raciocínio lógico. Neste sentido, as premissas, os silogismos, formatam um modelo para encontrar a verdade.

“Só a plenitude conduz a claridade, e a verdade habita nas profundezas” Confúcio

Nietzsche, em sua loso a dizia que a verdade é um ponto de vista. Ele não aceita uma de nição da verdade, porque não acredita que se pode alcançar uma certeza sobre tudo. Nietzsche di- zia que “Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas”. Aos olhos dos religiosos esta frase causa uma repulsa, pois em qualquer segmento religioso é aceita a verdade da existência de um Deus e de sua intervenção no mundo. Em seu livro 1984 George Orwell construiu uma so- ciedade ctícia onde os valores da verdade, da liberdade eram suprimidos, num momento do livro o personagem central escreve em seu diário “Liberdade é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro se isto for garan- tido as outras coisas também serão’ nesta perspectiva, a verdade liberta, ou seja, ela é transcendente. Por isso, ao escrever no seu diário esta frase ele resgata um ponto crucial na busca da verdade, ela tem diversos ângulos e percepções e se não somos livres pra compormos estas informações com outras, muitas vezes, que neguem a nossa convicção, esta verdade será apenas um argu- mento lógico pra confortar a mente.

A verdade como condição de liberdade, é um re- ferencial religioso cristão em que encontramos no Evangelho de S. João (8:32). “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” neste sentido restrito, exis- te uma verdade e ela está acessível, e para alcançá-la basta estar em acordo com os códigos morais reli- giosos. Uma questão que temos que pensar antes de saber o que é a verdade, é saber por que nos interessa tanto este tema? Que razão faz dela vital para o ser humano na sua vida?
Podemos como maçons, inferir que a busca da verdade é um elemento primordial da formação do homem, da sua totalidade e de sua plenitude. Sua condição de homem no mundo tem na busca da ver- dade uma exigência existencial. Assim, o maçom será sempre um homem livre que buscará a essência das coisas, o elemento primordial, buscará sempre aproximar-se da verdade, em uma busca contínua pelo que é justo e perfeito.

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” – Evangelho de São João (8:32).

O Maçom sabe que o importante é buscar, tentar se aproximar o máximo possível do que seja a verdade, e de como ela responde as nossas inquietações, e ao mesmo tempo, nos remete a novos desa os. Quan- to maior o nosso conhecimento, maior a nossa capa- cidade de perceber que não sabemos tudo. O Maçom como construtor social, tem na busca da verdade um elemento primordial para traçar e edi- car uma nova sociedade. Com os seus planos em mãos, herdados dos antigos construtores em que ele também faz suas anotações, tijolo a tijolo trabalha in- cessantemente. Este trabalho é continuo e ele sabe que os planos estão bem traçados, e o edifício ganha ascensão, pois ele é um operário zeloso na obra do Grande Arquiteto.

Bibliografia:
– Nietzsche Friedrich, – Verdade Mentira no Sentido Extra-moral
– George Orwell – 1984

Sobre o Autor

ARLS Arca da Aliança n° 172 GLMEBA - CMSB Oriente de Salvador

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