Igualdade, Liberdade e Fraternidade

Será que todos entendemos o significado destas palavras? Indo além: Será que praticamos dentro e fora das colunas este princípio?

Dentro da igualdade, do nivelamento de sermos homens livres e de bons costumes, imbuídos de desbastar nossa pedra bruta, de percorrer os degraus do painel alegórico onde apenas a luz emanada do G.´.A.´.D.´.U.´. ilumina o caminho.Existem pessoas que ao abusar de talvez algo que lhe é muito caro – cargos, acredita ser detentor desta luz.

Tratar alguém como irmão, é tratá-lo de igual para igual; é desejar o que desejaria para si mesmo.
Dentro da irmandade, a igualdade é a conseqüência de seus sentimentos, de sua maneira de agir, e se estabelece pela força das coisas.
Entretanto, o inimigo da igualdade é o orgulho.

O orgulho que, por toda a parte tenta impor e dominar, criando uma situação de privilégios e de exceções. O orgulho, uma das pragas da sociedade, enquanto não for destruído, oporá uma barreira à verdadeira igualdade.

Uma sociedade de homens bastante desinteressados, bons e benevolentes para viverem, entre si, fraternalmente, não haveria entre eles nem privilégios nem direitos excepcionais, sem o que não haveria ali fraternidade.

A fraternidade ocupa a primeira linha. É a base que sem ela não poderá existir nem igualdade e nem liberdade reais A fraternidade significa devotamento, abnegação, tolerância, benevolência, indulgência.”Agir para com os outros como gostaríamos que os outros agissem conosco”.

Como na igualdade, também tem seu inimigo que é o Egoísmo. Ser fraterno é pensar e agir “Cada um por todos e todos por um”, enquanto o egoísmo diz: “Cada um por si”.

É impossível a um egoísta agir fraternalmente, para com os seus semelhantes tanto quanto é para um avarento ser generoso a um homem pequeno alcançar a altura de um homem grande.

O egoísmo é a praga dominante da sociedade e enquanto dominar, o reino da verdadeira fraternidade será impossível; cada indivíduo tentará usar a fraternidade em seu proveito, e jamais em proveito dos outros e só assim fará quando estiver seguro de que não perderá nada. Indo mais além, só o fará se puder almejar a destruição do caráter alheio com insinuações e atitudes e usando até de artifícios ilusionistas como ausência da verdade.

A liberdade. Vivendo os homens como irmãos, com os direitos iguais, unidos por um sentimento puro de benevolência recíproco, praticarão entre si a justiça, não procurarão nunca se fazerem mal, e não terão, conseqüentemente, nada a temer uns dos outros. Para liberdade não se tornar inimiga,é necessário ninguém pensar em seu uso para abusar e prejudicar seus semelhantes. Mas como o egoísmo que quer tudo para si, o orgulho que quer sempre dominar, dariam a mão à liberdade que os destronaria? Os inimigos da liberdade são, pois, ao mesmo tempo, o egoísmo e o orgulho, como o são da igualdade e da fraternidade.

A liberdade supõe a confiança mútua. Não pode haver confiança entre pessoas movidas pelos caprichos pessoais, satisfazendo-se às custas de outras, sem cessar, estão em guarda uns contra os outros. Sempre com medo de perder o que chamam seus direitos, a dominação é a condição mesma de sua existência, por isso armarão sempre ciladas à liberdade, e a abafarão tanto tempo quanto o puderem.

Esses três princípios são solidários uns com os outros e se servem mutuamente de apoio; sem sua união, o edifício social, moral e ético, não poderia estar completo.

A fraternidade, quando praticada de forma límpida, nunca está só, pois sem a igualdade e a liberdade não existiria. Assim como a liberdade sem a fraternidade libera as más paixões de forma desenfreada levando o homem a sua mais hedionda condição primitiva. A igualdade sem a fraternidade conduz aos mesmos resultados, porque a igualdade quer a liberdade.

Não podemos ser conduzidos pela necessidade de um poder pessoal, guiados pela ambição que utiliza outros homens de instrumentos. Em lugar de emancipar aqueles que esperam galgar seu crescimento dentro da pura trilogia, permanece o maior tempo possível, sob o jugo e na ignorância.

A força irresistível do progresso Universal não pode ser contida dentro desta ausência de luz. A reação é violenta e terrível quando o sentimento de fraternidade, imprudentemente e inescrupulosamente é abafado, contido e manipulado. Portanto, quem assim tenta conduzir insere-se na contramão do G.´.A.´.D.´.U.´.

É necessário buscar o equilíbrio quando as bases não estão sólidas, o solo fica instável e treme porque não é, ainda, o reino da liberdade e da igualdade sob comando da fraternidade, porque o orgulho e o egoísmo estão sempre ali, levando ao fracasso os esforços dos homens de bem.

Devemos sempre trabalhar na base do edifício, antes de querer colocar seu telhado, portanto tarefa esta que cabe aos engenheiros de uma obra saber ordenar aos seus comandados. Somente assim, a obra se erguerá no prumo, traçada pelo esquadro e fiel ao compasso, tendo por base a fraternidade em sua mais pura concepção.

Não basta decretá-la e inscrevê-la sobre uma bandeira; é preciso que ela esteja no coração e não se muda o coração dos homens com decretos. Para cultivar um campo é necessário remover ervas daninhas e pedras. Assim também devemos extirpar o vírus do orgulho e do egoísmo, pois consistem a fonte de todo mal, corroendo instituições até sua total ruptura.

A destruição do egoísmo e do orgulho é possível? – SIM, de outro modo seria preciso colocar uma suspensão ao progresso da Humanidade.

Autor

Ir.’. Emílio Carlos Seoane Martinez
(Afonso Arinos)

Editora Domínio

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