Este título levou-me a uma reflexão da qual compartilho com meus IIr∴. Todavia, para uma melhor compreensão do sentido proposto pelo tema faz-se necessário sua ambientação, ou seja, conhecer os elementos que o precedem e sucedem.

O fragmento é parte de uma peça de arquitetura intitulada “O G∴A∴D∴U∴ e o Grande Oriente da França”, de autoria do Ir∴ M∴M∴ William Almeida de Carvalho, que constou na edição nº 3 da Revista Cultural do Grande Oriente do Brasil, ano 1998. A peça em tela discorre sobre a ruptura das relações maçônicas entre o Grande Oriente da França – GOF e a Grande Loja de Londres.

Tal ruptura é atribuída ao fato de o GOF ter ferido um dos artigos da Constituição de Anderson. É neste artigo, ou melhor dizendo, no seu entendimento, que centra-se a abordagem ora apresentada. Conheçamos tal artigo, meus IIr∴.

“O Maçom está obrigado, por vocação, a praticar a moral, e se compreender seus deveres, nunca se converterá em um estúpido ateu nem irreligioso libertino. Apesar de nos tempos antigos os maçons estarem obrigados a praticar a religião que se observava nos países em que habitavam, hoje, crê-se mais conveniente não impor-lhes outra religião senão aquela que todos os homens aceitam, o dar-lhes completa liberdade com referência às suas opiniões particulares. Essa religião consiste em ser homens bons e leais, quer dizer, homens honrados e probos, seja qual for a diferença de nome ou de convicções. Deste modo, a Maçonaria se converterá em um centro de unidade, e é o meio de estabelecer relações amistosas entre pessoas que, fora dela, teriam permanecido separadas”. (Constituição de Anderson, GOB, s/d, Rio de Janeiro).
Percebe-se, no artigo, a ênfase dada àquele que nega a existência de um Supremo Criador, bem como àquele que priva-se da obediência a uma doutrina religiosa para que possa deleitar-se dos sabores mundanos. Outro ponto que chama a atenção é a não imposição de uma religião, mas, sim, que cada maçom aceite aquela que todos os homens aceitam.

Concernente a estes destaques, expõe-se o seguinte:

Primeiro – o incrédulo, ao negar a existência de um Ser Supremo tenta negar sua própria existência. Nesta linha, ao refutar a crença de que havia o Grande Criador, René Descartes profere a célebre frase: “Cogito, ergo sum”, “penso, logo existo”. Ironicamente, Descartes concluiu que até para afirmar que não existia, ele existia. Aceitando a Teoria Criacionista ou Evolucionista teríamos mesmo aí o princípio da existência, desta forma, nesta ou naquela nada há sem a intervenção do Criador.

Segundo – sob o pretexto de liberdade, muitos transgridem a tênue linha da razão e do respeito. Desconheço doutrina religiosa que, em sua essência filosófica, vise pôr grilhões no intelecto de seus adeptos, todavia, acontecimentos históricos e contemporâneos denunciam o contrário. Mas, eis que a partir do momento que tende para esta linha, desprende-se de sua essência e passa a ser, não mais uma doutrina, mas uma aglomeração de fanáticos que ontem ou hoje prendem, julgam, condenam e matam em nome de Deus, Alá, Maomé ou Moisés.

Meus IIr∴, sob a ótica maçônica, é condição sine qua non para aquele que pretende marchar como os antigos artífices da Arte Real, crer naquele que tudo vê, tudo faz e tudo pode, é irrefutável a existência do Gr∴Arq∴ do Univ∴. É inconcebível, neste ambiente, aquele que relega a moral e os bons costumes em prol de sensações momentâneas de completude.

Por fim, não esquecendo do terceiro ponto suscitado, presume-se que a religião certa – e nela está Deus – é aquela praticada por cada indivíduo quando respeita a si, ao seu próximo, quando zela pela família e pela pátria amada, quando assiste ao pobre, ao necessitado, quando socorre o órfão, especialmente o de pai.

Conclui-se, então, que Deus é de todas as religiões, independendo estas de nomes ou credos, mas que tenham o verdadeiro desejo de fazer cada indivíduo melhor, ensinando a este a prática da virtude. Entende-se, também, que a verdadeira religião ou as verdadeiras religiões são de Deus, pois Ele criou em nós a necessidade biológica de vivermos em grupo que se reúne em torno de crenças que propagam o bem.

Encerro, relembrando um pequeno trecho do L∴ L∴ que enaltece esta reunião de indivíduos que buscam incessantemente a perfeição, pois neste sublime ato também reside Deus. “Ecce quam bonum, et quamiucundumhabitare fratres in unum”.

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