A história da Maçonaria é semelhante à dos grandes homens. Ela se faz de sonhos e de sacrifícios, de tristezas e de alegrias, de fantasias e de utopias.

A nossa doutrina é como um amplo salão onde aprendemos a utilizar melhor o tempo de vida, pois, quanto mais vamos ao encontro dela, mais podemos suavizar a sede que seca todas as lágrimas.

Por isso, não devemos contar no tempo as folhas que secam e as flores que murcham nos caminhos de nossa existência, mas tentar alcançar os frutos colhidos ao longo da vida, em busca de um sonho de felicidade.

O poder é afrodisíaco e o demônio que assedia o poder é pródigo em tentações. Mal concebido, é como um velho luxurioso, vaidoso e cheio de rugas que enche os potes até aqui de mágoa, transbordando nos corações. O poder desequilibra as emoções e faz brotar intolerância nas relações.

Às vezes, é intransigente nos princípios, deixando de cumprir os compromissos efetivos e afetivos. Às vezes, sacrifica a amizade, a fraternidade e a lealdade só pelo prazer de nada fazer: só ser.

Desse modo, Grande Loja, ou Grande Oriente Independente, desde que não haja enchentes, não importa a corrente, nem suas vertentes, não importa suas nascentes, tampouco seus influentes afluentes. O importante, é que todas elas se encontrem no poente, desaguando em um Grande Oriente.

É com sentimento de alegria que contemplo
essa homenagem.

São momentos de profunda felicidade e singeleza, que vão ao ponto de encontro, sem desencontro, ao contraponto, no interior de uma vida tão anômica, tão anêmica, tão anódina.

O horizonte dando as costas para as montanhas cede os primeiros Madrigais, que, através das palavras, constroem um novo mundo, aprimorando as nuanças da vida.

Nem todos concebem a graça de ser Maçom: só aquele que nada retém para si e tudo dá de si consegue acolher o Irmão em sua loja-mãe, qual criança que, ao jogar-se nos braços da mãe, consegue distingui-la na multidão.

Nem todos concebem a graça de ser Maçom: só aquele que nada retém para si e tudo dá de si (…)

Contudo, quantas vezes, nossa dose de humanidade ressecou-se, calcinada por dogmatismos que nos inflaram de presunção e nos deixaram vazios de sensibilidade para com o drama dos que, embaixo do viaduto, aguardam a intervenção divina!

Quantas vezes, nosso senso de honestidade, de sinceridade e lealdade cristalizou-se em exercício de autoridade, tripudiando sobre o Irmão que se aproxima de nós em busca de solidariedade!

Quantas vezes, deixamos de auxiliar o menino favelado, que não tem acesso à faculdade pública, suprimindo o sonho e o silêncio dos inocentes!

Quantas vezes, nós nos deixamos ser guiados por grandes sentimentos de amor, para nos deixar ser absorvidos por estéreis disputas partidárias, barganhando utopias
por cargos!

Quantas vezes, nos desvãos da memória, acumulamos um indisfarçável preconceito daqueles que sentem na pobreza a discriminação social e na pele a racial!

Quantas vezes, deixamos de estender as mãos para oferecer um carinho para aqueles que mastigam um pedaço de pão com lágrimas de vergonha!

Assim, o tempo se comporta em relação à memória de alguns Maçons de maneira contraditória: a de uns, desaparece nas garoas do tempo; a de outros, vai se tornando mais nítida, liberta das mazelas e das poeiras do cotidiano.

Poderoso Ir∴ Edmo Muniz Pinho: Na sinuosidade ou na interinidade do GOBRJ, nos ajuda a arrancar o véu que impede os nossos olhos, ofuscados pela vaidade, de ver a luz da esperança que ilumina a Instituição. E nesse momento, o sentimento de carinho o qual passaremos a dedicar a você, será como todas as noites, em que as belas flores do jardim, umedecidas pelo orvalho que, caindo silenciosamente sobre elas, abrirá seu coração, subvertendo a vida, e nos coroando com sua presença, a qual é acariciada pela brisa, que não consegue
roubar-lhes as cores.

Venerável Ir∴ Ibis Ajório: Na caserna, aprendeu a arte de velejar pelos céus; a bordo das nuvens, vai conduzindo a Venerança da loja Cayrú e, ao nosso convívio, chega voando  à honorabilidade sem exibir as asas.

Meu Venerável Ir∴ Wellington Ferreira da Rosa: Sei que, se você pudesse, ao lado da Cunhada Cláudia mapearia a eternidade com ternura, lançaria pétalas de amor no interior da loja Olegário Maciel e corrigiria o equívoco do poeta, pois sabe, que amor não é eterno enquanto dura, mas dura enquanto é terno.

Soberano Grão-Mestre Ir∴ Marcos José da Silva: Para mim, você tem uma imagem  sorridente e transparente no cenário e no imaginário da nação maçônica e ainda mais definida na soberania do Grande Oriente do Brasil.

Por isso, hoje você é vitrine que o tempo verá passar, os holofotes a te seguir, e os refletores a  te focar. Sei que você é matriz e estás em exposição, mas poucos sabem que transportas a alegria, recolhendo a  nostalgia e os cacos de mágoa espalhados no chão.

Sapientíssimo Ir∴ Benito Cohen: Em seu 50º aniversário de Instituição, pela manhã, vê o sol nascer, e devotado expectador da paisagem da tarde, tem, na promessa da noite, a advertência da brevidade da vida. Ah, quanto tempo! Você sente o peso do tempo. Há quanto tempo você circula no interior de nosso Templo, às vezes, com bom tempo, às vezes, com contratempos.

No entanto, você continua fiel ao tempo, acompanhando os ponteiros do tempo que a todo tempo boiam no infinito do nosso Templo, bailando na Via Láctea com a cadência do tempo.

Homens de doutrina própria, cientes de seus destinos e deveres, veem o mundo com os olhos e sentem com a alma. Arraigados por um sentimento de amor e liberdade, como todos aqueles os quais teimam em fazer uma Maçonaria diferente.

E esse comportamento vem espelhado na habilidade política, na fraternidade e na amizade, duas palavras as quais definem a metáfora da vida.

É uma edificação dessa magnífica argamassa, porém, se não impusermos a  paz, a harmonia e a união, mais cedo ou mais tarde se esquarteja ou se esmaga a Instituição.

Nós, da loja Marquês do Herval, somos o que somos, pois somos parecidos com todos que se parecem com nós. Indivíduo é aquele que não pode dividir-se por outro, mas que pode e deve dividir-se para multiplicar.

E hoje, ao nos encontrarmos nesse pequeno pedaço do universo o qual chamamos de Templo, repleto de Irmãos, podemos afirmar: não precisamos de um milhão de amigos, como no sonho musical do poeta; precisamos, sim, guardar o que temos com zelos e cuidados especiais. Para que laços fraternos se desenlacem, basta um minuto infeliz; para amarrá-los, leva-se um bom pedaço da vida, e amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito.

E, nesse instante, os sentimentos aos quais busco aqui dar expressão são para dizer em palavras de afeto: parabéns, parabéns a todos os homenageados. E aceitem um abraço, um forte abraço, dos Aprendizes, dos Companheiros, dos Mestres Instalados, dos Mestres Perfeitos e o meu, um Mestre com Carinho.

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