As influências ocultas por detrás da constituição da Ordem do Templo

É uma grande honra ter recebido o convite da Revista Universo Maçônico e o incentivo do meu Estimado Irmão, Fernando C. Gomes, do Grande Oriente do Brasil, para escrever algumas breves palavras sobre o lado Oculto da História, da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão. Evidentemente, o que faremos será apenas uma breve introdução sobre os Movimentos Tradicionais em torno da Ordem do Templo e que influenciaram enfaticamente na constituição da mesma, deixando o desenvolvimento da História da Ordem para edições posteriores, uma vez que a História Oculta dos Templários, longa e por demais complexa, continua sendo escrita ainda
nos dias atuais.

Inicialmente gostaria de salientar, de forma bem clara, a diferença entre História Oficial e História Oculta e essa explicação vale não somente para os Templários, mas também para qualquer movimento Esotérico Tradicional e até mesmo para a História Universal
da Humanidade.

Com todo respeito que temos pelos historiadores acadêmicos, ainda que muitos dos dados coletados pelos mesmos sirvam de base para pesquisas e estudos sérios, nem sempre a História Oficial e seus representantes estão de posse de todos os dados no tocante ao que realmente aconteceu, muito menos estão de posse do que poderíamos chamar de “A Verdadeira Verdade”, que se oculta por detrás daquilo que é convencionalmente aceito como
fato histórico.

Se já é difícil falar a respeito da História Universal da Humanidade, imaginem a dificuldade de se falar a respeito da História das Ordens Secretas, sendo os Templários uma das mais proeminentes Ordens do Ocidente, uma vez que as Ordens Herméticas e Esotéricas mais Tradicionais mantém um sistema de Tradição Oral, que pode se estender por muitos milênios sendo seus ensinamentos, usos e costumes passados de boca a ouvido e de Iniciador a Iniciado. Esse fato já coloca os historiadores acadêmicos numa certa desvantagem, pois como eles poderiam estar de posse de todas as informações relativas a uma Ordem específica, uma vez que muitos não são Iniciados na mesma? Partindo do ponto de que o acesso a certas informações é legado somente a Iniciados dentro de uma Ordem Secreta, é óbvio que se o historiador não teve acesso à Iniciação não teria acesso a certos dados cruciais concernentes à História completa de uma determinada Ordem e isso já pode gerar grandes equívocos, principalmente no tocante aos objetivos, rituais, cerimônias e passagem da Tradição pura no tocante a uma Gnose, uma Sabedoria, quem nem mesmo os de menor Grau dentro da Ordem tem acesso, muito menos os que estão do lado de fora da mesma.

Além do que foi comentado no parágrafo acima, sabemos que muitas vezes a “História Oficial” pode e realmente é escrita visando defender certos interesses de grupos específicos, que por diversos fatores conseguiram se manter, ou manter o Poder por meio de certas manobras, nem sempre lícitas, sendo que esses grupos – alguns deles religiosos, outros laicos – chegam a reescrever, muitas vezes literal e radicalmente, certos trechos da História, de acordo com suas conveniências, sendo vetadas e até mesmo destruídas partes inteiras da História real e autêntica, a respeito do que realmente aconteceu.

O fato das Ordens Secretas mais respeitáveis do mundo preferirem um sistema de Tradição Oral se deve a esse instinto de proteção e preservação de certas informações que poderiam ser facilmente destruídas, ou manipuladas, até mesmo contra a própria Ordem, caso tudo estivesse registrado, gravado, ou traçado, independente dos meios utilizados para se armazenar certos registros. É possível se perseguir, denegrir a imagem e até mesmo matar os, por assim dizer, “Portadores da Tradição”, mas fica muito mais difícil exterminar totalmente a mesma, pois alguns desses Portadores sempre conseguem escapar às perseguições e acabam legando à Tradição Esotérica àqueles que consideram dignos de receber tais ensinamentos, chegando a observar, às vezes por muitos anos a fio, um possível candidato à Iniciação, antes de lhe legar à Sabedoria das Eras.

Quando da chegada real dos Templários em Jerusalém ocorrida, em verdade, em 1.111 e não em 1.118d.C., como dizem os relatos “oficiais”, – baseados no que escreveu Guillaume de Tyre, historiador de fontes e datas, pouco confiáveis e imprecisas, 50 anos depois que os Cavaleiros do Templo já estavam estabelecidos – já foi proibido logo de início, por Balduino II, Rei de Jerusalém, qualquer tipo de registros a respeito da presença dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão em seus domínios, por parte de Fulk de Chartres, (ou Foucher de Chartres) Capelão, Historiador e Cronista oficial do Rei (que viveu na época da chegada dos Primeiros Templários) e a quem pertencia a responsabilidade de registrar tudo o que ocorria na Terra Santa. O que ocorreu em 1118 foi a apresentação oficial da Pauperes Commilitiones Christi Templique Salomonis ao Mundo, quando Hugues de Payns, Geofrey de Saint Omer, Hugues de Champagne, André de Montbard,
Geofrey Bissot, Payen de Mont Du Dier, Gondenar, Jaques de Roral ou Rossal e Archambaud de Saint Aignan, os nove Templários Primordiais, se apresentaram diante do Rei e do Patriarca de Jerusalém, não sem antes terem se reunido no topo do Monte Moriah para certos fins litúrgicos, ritualísticos e administrativos relativos ao que viria a ser a nova Ordem e sobre os quais não se convém comentar, pelo menos por hora.

Oficialmente, como explicado no parágrafo acima, a Ordem do Templo teria passado a existir apenas em 1118 e essa afirmação, durante muitos séculos, foi defendida pela maioria dos historiadores, que estavam baseados em Guillaume de Tyre, sendo que o mesmo, por escrever após cinquenta anos de presença Templária na Terra Santa, não esteve presente quando da chegada dos Templários Primordiais à mesma e ainda que tivesse obtido alguns dados dos Templários contemporâneos de sua época, é largamente sabido em meio à Tradição, que os próprios Templários distorceram certas informações passadas a Guillaume de Tyre, uma vez que seus primeiros objetivos na Terra Santa eram de conhecimento exclusivo dos dirigentes da Ordem do Templo e também dos dirigentes de outras Ordens, algumas Monásticas, outras Herméticas e Esotéricas, presentes em Jerusalém e no continente Europeu.

“Templário que não conhece a Geometria Sagrada, os mistérios do Verbo e dos Números, deixando de prestar reverência ao Filósofo Pitágoras, não é Templário e se o é, não passa de um Noviço, recém-chegado À Ordem”

Partindo para a conclusão dessas primeiras breves reflexões, que geram muito mais perguntas do que respostas, seria interessante apresentarmos algumas das expressões Tradicionais Esotéricas, que inspiraram e serviram de embrião intelectual e filosófico para o que viria a ser a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de
Salomão:

– Pitagóricos: até os dias atuais, dentro de várias expressões Templárias sérias, existentes em nosso mundo moderno, é dito que: “Templário que não conhece a Geometria Sagrada, os mistérios do Verbo e dos Números, deixando de prestar reverência ao Filósofo Pitágoras, não é Templário e se o é, não passa de um Noviço, recém-chegado à Ordem”; Em Crotona, sul da Itália, Pitágoras desenvolveu sua Escola Itálica, cujos mistérios e ensinamentos eram baseados nos Números e suas vibrações, acrescidos de estudos sobre Geometria Sagrada, muitos deles oriundos da passagem de Pitágoras pelas Escolas de Mistérios do Egito Antigo, sendo a ética e uma elevada Moral, condições sine qua non para ser admitido nessa Ordem. O símbolo principal dos Pitagóricos era o Pentagrama, sendo que eles, de certa maneira, inspiraram o futuro do Platonismo, o próprio Cristianismo, sendo que hoje em dia muitas Sociedades Secretas exaltam seus ensinamentos, e sua profunda Filosofia, Moral e Ética; “Curiosamente” e muito supostamente, Pitágoras teria morrido em meio às chamas de um ataque à sua Escola Itálica, promovido por uma turba incitada pela classe política do Sul da Itália, que via os Ensinamentos Pitagóricos como uma ameaça a sua manutenção de poder. O Pitagorismo sobreviveu até nossos dias e hoje a OPI – Ordem Pitagórica Internacional, se oculta dentro de certas Ordens Templárias, sendo impossível pedir o ingresso à mesma, que só é concedido a Templários exemplares em todos os critérios das expressões do Templo, que os mesmos tomam parte; aqui no Brasil, aos Irmãos Maçons interessados em Pitagorismo, vale a pena pesquisar o Instituto Neo Pitagórico: http://www.pitagorico.org.br

– Essênios: Comunidade religiosa, profundamente Hermética e Esotérica, apartada do restante da sociedade judaica na época de Jesus, que teve entre um de seus mais proeminentes Mestres de último Grau, o próprio Iesus Christos. Os Essênios teriam se originado por volta de 200 a.C., mais precisamente entre 150 e 140 a.C., tendo existido até 68 d.C., quando se deram os primeiros conflitos mais sérios entre judeus e romanos sendo, teoricamente, exterminados pelo General Romano Vespasiano, por volta de 70 d.C.. Muitas de suas práticas inspiraram os Cátaros da Idade Média, sendo que essa inspiração passou para a Ordem do Templo, uma vez que muitos dos Templários originais eram adeptos do Catarismo e mesmo aqueles que não seguiam essa filosofia eram oriundos do Sul da França, principal região de marcante presença Cátara. O currículo de estudos relativos à Formação de Mestrado Essênia envolvia Astrologia, Química, Alquimia, História Natural, Religião Comparada, Leis Naturais e Universais, Teurgia, Estudos a respeito do Nome de Deus, o Tetragrama e proficiência no tocante ao Reinos dos Anjos e seus diferentes Coros Angelicais, bem como os rituais oriundos do Merkabah (sistema primitivo de misticismo judaico, presente na Kabballah) através dos quais era possível contatá-los; dispensável dizer que muitos desses temas estão inseridos atualmente dentro dos ensinamentos e estudos Templários, principalmente dentro de Tradições Templárias mais dadas ao Gnosticismo e
ao Hermetismo.

– Cátaros (Katharoi = Puros): O Catarismo foi um movimento considerado herege pela Igreja Católica e perseguido pela mesma, até seu trágico massacre, porém não desaparecimento, na chamada Cruzada Albigense, um ataque promovido e incitado pelo Papa Inocêncio III ao Sul da França, sendo que a perseguição aos Cátaros durou de 1209 até 1244 e constitui uma das páginas mais vergonhosas da História do Vaticano, pelo mesmo ter fomentado uma Cruzada dentro da própria Europa, absurdamente de Cristãos contra Cristãos, pelo simples motivo de não aceitar o Cristianismo Cátaro, mais Gnóstico, puro e primitivo, quando comparado, na época, ao Cristianismo Católico. O Catarismo, além de representar o que havia de mais puro dentro de um Cristianismo altamente Esotérico e Gnóstico também constituiu, como movimento, um verdadeiro Graal, que acolheu em seu interior muito da Sabedoria das Eras. Andando sempre em duplas, os Cátaros eram os instrutores da maioria dos filhos da rica nobreza do Sul da França, também sendo os terapeutas, confidentes, consoladores e amigos de todas as horas das pessoas mais pobres, simples e humildes que viviam naquela região, estando sempre prontos a socorrer os famintos, desabrigados, enfermos, adoentados e aflitos, sendo o sustentáculo dos moribundos e suas famílias na hora da morte e auxiliadores da Transmigração das Almas, em direção ao Plano Espiritual, por meio de suas poderosas Preces e Rituais Cristão/Gnósticos. “Os Perfeitos”, nome pelo qual eram conhecidos os Cátaros de último Grau, viviam isolados da sociedade em montanhas e cidadelas escavadas nas mesmas, sendo que algumas cavernas e grutas se convertiam em verdadeiras Ekklesias, dormitórios, refeitórios, depósitos e centros de estudos. O celibato, a alimentação quase que inteiramente à base de legumes, frutas e verduras, rígidos votos de silêncio e isolamento social eram impostos somente aos Cátaros dos mais altos Graus, sendo que dentro da estrutura de Graus do Catarismo também haviam Cátaros casados e amigos dos Cátaros, muitos deles nobres do Sul da França, o que ajudou a sobrevivência do Movimento até os dias atuais, que mesmo sendo praticado de forma totalmente reduzida, oculta e insuspeitada, jamais deixou de existir. Pela convivência com a nobreza sulista francesa, os Cátaros possuíam um próspero tesouro que estava sempre à disposição dos mais pobres e necessitados, uma vez que os Cátaros dirigentes do Movimento faziam votos da mais absoluta e total pobreza, não podendo possuir nenhum bem além de suas sandálias, confeccionadas à mão pelo próprio Irmão, seu cordão de cintura e suas vestes (brancas, em caso de Graus elevados) feitas dos panos mais humildes da época, quase sempre doados. Para saber mais, sugiro o livro: No Caminho do Santo Graal – Os Antigos Mistérios Cátaros. Autor – Antonin Gadal. Editora Rosacruz. Também, por curiosidade, respeitosa e não superficial, vale a pena visitar o site do Lectorium Rosacrucianum – Escola Internacional da Rosacruz Áurea, uma, entre diversas expressões de Rosacrucianismo existentes em nosso tempo, sendo essa altamente Cristã e Gnóstica: www.rosacruzaurea.org.br”

– Ordem do Sinai (1070 d.C.): Quando falamos em Ordem do Sinai, poucas pessoas sabem a respeito de qual Movimento Tradicional estamos nos referindo. Mas, a partir do momento em que usamos o termo “Priorado do Sião”, quase todos imediatamente se lembram do filme “O Código Da Vinci”, inspirado na obra literária de
Dan Brown.

É fato, que logo após o lançamento mundial do livro O Código Da Vinci, num primeiro momento o Vaticano e demais religiões dominantes não se manifestaram sobre o mesmo, mas a partir do momento em que a popularidade do livro começou a aumentar, sendo seguida depois do filme, muitas autoridades eclesiásticas ficaram enfurecidas, uma vez que, segundo a visão das mesmas, a obra seria uma heresia, um ataque ao ícone mais Sagrado do Cristianismo, que é Jesus e sobre o qual a fé de milhões de pessoas no mundo está alicerçada.

Como resposta ao livro de Dan Brow foram lançadas várias obras literárias, patrocinadas por vários seguimentos cristãos representantes das linhas dominantes do Cristianismo, visando desacreditar a obra de Brown, como se o mesmo alguma vez tivesse colocado seu Código Da Vinci como sendo baseado em fatos históricos incontestáveis.

Dan Brown nunca quis isso e o que ele escreveu foi um romance, baseado em todos os elementos que um best seller precisa ter para se tornar um sucesso mundial, a saber: suspense, investigação, ação policial, romance, mistérios, um grande segredo, enigmas, capítulos envolventes de leitura rápida e que nos fazem querer saltar imediatamente para o capítulo seguinte. Essa fórmula não falha nunca.

Tudo que foi falado no livro e mostrado no filme existe de fato? Claro que não, mas sem algumas invenções os autores não venderiam e o cinema não teria salas abarrotadas de gente. Mas, existem algumas questões: O que é Hollywood e o que é realidade? O que é romance criado na mente de um autor brilhante e o que é fato, só que dentro da chamada História Oculta, a qual estamos abordando aqui? Por que o livro gerou tanta polêmica entre os fiéis do Cristianismo e principalmente entre as autoridades Eclesiásticas? Caso, em meio ao romance, não existisse algo de fato perturbador e que suscitasse questionamentos, por que de tanto barulho em torno do assunto?

Um dos pontos mais atacados nas obras posteriores à de Dan Brown é a existência do Priorado do Sião, uma Sociedade Secreta e seletíssima, cujo objetivo seria proteger os descendentes de Jesus Cristo e Maria Madalena.

Segundo os livros que atacam o Código Da Vinci, somados a alguns documentários exibidos no History Channel e no Discovery, o Priorado do Sião seria fruto de uma invenção, de um francês “maluco”, como se referem a Pierre Plantard, que teria criado a Ordem em 1960, objetivando o retorno dos descendentes de Cristo e de Madalena a alguns tronos Europeus, sendo que o próprio Plantard estaria objetivando ascender em meio às linhagens da nobreza francesa, uma vez que ele mesmo, segundo seus detratores, afirmava descender do Sangue Real Cristão (Sangreal). Agora. Vamos por partes.

Em primeiro lugar, aqueles que dizem que Priorado do Sião é uma invenção surgida apenas em 1960, estão totalmente enganados e demonstram uma total ignorância, não apenas no tocante à história dessa Sociedade Secreta, bem como no tocante ao que concerne ao básico da História do Esoterismo Ocidental. Em segundo lugar, Pierre Plantard foi, sim, um membro do Priorado do Sião em 1960, quando a Sociedade ainda tinha esse nome. Plantard não criou o Priorado do Sião, mas o promoveu, tendo recebido autorização para isso, criando uma nova roupagem para que o Priorado ressurgisse nos tempos modernos e isso incluía até adotar um novo nome
para a Ordem.

Plantard fez a mesma coisa que nos idos de 1950 fizeram Gerald Gardner e Alex Sanders, responsáveis por alguns dos movimentos de ressurgência Pagã na Inglaterra, sendo que Gardner é considerado até hoje como o Avô de todos os praticante da Wicca, uma religião baseada nos ciclos das estações e nos rituais sazonais de plantios e colheitas, tendo como ênfase Solstícios e Equinócios para suas celebrações, estando essa religião estabelecida sobre bases relativas à Antiga Religião praticada desde as épocas primitivas do paleolítico e do neolítico. É ridículo dizer que Gardner criou a Antiga Religião, mas é totalmente acertado dizer que o mesmo, assim como Plantard na França, são ambos responsáveis pelos ressurgimentos de certas Tradições que haviam caído no esquecimento, salvo suas práticas em grupos fechadíssimos, sendo que essas Tradições corriam o sério risco de desaparecer da face da Terra. Quando falamos em matéria de Priorado do Sião estamos falando de um movimento ressurgente, inspirado numa Ordem, cuja verdadeira origem está muito distante de 1960.

No ano de 1070 d.C. (29 anos antes da tomada de Jerusalém) alguns monges oriundos da Calábria, Sul da Itália, chegaram a Ardenas, (em francês: Ardennes) em terras pertencentes a Mathilde de Toscane, Duquesa de Lorraine, tia de Godofredo de Bulhões, um dos maiores ícones da 1ª. Cruzada. Esses monges calabreses, a exemplo do que acontecia com diversas “heresias” da época, ou seja, qualquer movimento que falasse algo ao contrário do que o Vaticano pregava, eram inspirados nos antigos ensinamentos dos Basilidianos e Valentinianos, duas respeitáveis Escolas Cristãs Gnósticas que existiram entre os séculos II e IV d.C. e aglutinavam também conhecimentos dos Elkessaítas, Maniqueístas, Paulicinianos, Priscilianistas, Anabatistas e Bogomilos, além de terem mantido um contato muito próximo junto aos Cátaros, já citados nesta matéria.

Mathilde de Toscane, tocada pela pureza dos ensinamentos Cristãos Primitivos concede parte de suas terras para a fixação dos monges italianos e pede a Godofredo de Bulhões que construa um misterioso Templo de forma Octogonal, em meio às florestas de Ardenas, onde os monges passam a viver e professar sua Fé Cristã Gnóstica. Curiosamente, as dependências mais sagradas dos Templários destinadas a cultos e rituais, tinham formas Octogonais, inclusive algumas de suas igrejas.

Os Monges Calabreses adotam para si o nome de Ordem do Sinai, pelo qual serão conhecidos até 1090, quando adotarão o nome de Monastério do Sinai, sendo a Ordem chamada por esse nome até 1188, quando o Monastério do Sinai desaparece da História, para reaparecer somente em 1960, numa roupagem e nomes totalmente novos: O Priorado do Sião.

A primeira sede da Ordem do Sinai foi em Ardenas, França, mas antes do início das Cruzadas alguns dos primeiros monges vindos da Calábria e continuadores de sua obra foram se transferindo para uma nova sede estabelecida ao Sul de Jerusalém, erigida novamente com os recursos de Godofredo de Bulhões, período em que adotaram seu novo nome de Monastério do Sinai, se estabelecendo nesses anos um braço armado do Monastério conhecido como Cavaleiros da Ordem de Notre Dame do Sinai, que teriam sido uma espécie de inspiração para o que viria a ser a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão.

Figuras importantes da Ia. Cruzada como Godofredo de Bulhões, Pedro, o Eremita, Balduíno I, Hugues de Payns, (1º. Grão-Mestre dos Templários), Geoffroy de Saint Omer, O Conde de Champagne, entre outros, conheciam a História dos monges Calabreses, ou haviam sido inspirados pelas mesmas crenças, o que já fez com que os Templários nascessem professando uma fé baseada mais no Cristianismo Primitivo, do que na visão mais moderna do Vaticano a quem, num primeiro momento, deviam obediência na época.

Quando se diz que o Priorado protegia, e protege até hoje, uma “certa linhagem”, precisamos entender que o termo “linhagem” necessariamente, em certos contextos, não se aplica ao sangue, ou a uma determinada família, podendo também ser aplicado a uma espécie de Sabedoria compartilhada somente em meio a altíssimos Iniciados nos antigos Mistérios.

O Priorado do Sião, antiga Ordem do Sinai, foi colocado no romance de Dan Brown, como o Guardião dos descendentes de Jesus e Madalena. Em verdade, os objetivos da Ordem do Sinai eram, num primeiro momento, bem diferentes disso e se existe uma descendência Cristã, não é o momento para começarmos a lidar com esses assuntos agora. O Priorado, que hoje em dia nem atende mais por esse nome, objetiva uma certa Vigília e renascimento de certas Tradições no continente Europeu, sendo que uma parte delas envolve projetos a respeito da divulgação de um Cristianismo mais Primitivo, sendo que o ser Cristão é condição sine qua non para ser admitido nos Mistérios do Sinai.

Quando falamos em matéria de Priorado do Sião estamos falando de um movimento ressurgente, inspirado numa Ordem, cuja verdadeira origem está muito distante de 1960

“Concluindo nossa primeira parte da História Oculta a respeito da Ordem do Templo, dá para imaginar que tipos de Rituais, Cerimônias e Liturgia praticaria uma Ordem baseada em tantas Tradições Gnósticas que a antecederam? E uma vez que a História dos Templários ainda continua sendo escrita, nos resta perguntar aonde tudo isso irá levar o Cavaleiro Penitente, Peregrino das Rotas Sagradas traçadas por si mesmo rumo a uma Jerusalém não corruptível, em meio a uma Eterna Cruzada travada dentro de si, na incessante Busca pelo Autoconhecimento, mas esses são assuntos para um outro pôr do sol…”.

Non Nobis Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo da Gloriam

Cavaleiro Templário, Membro do Preceptório “Madras” N° 22, subordinado ao Grande Priorado do Brasil, das Ordens Unidas Religiosas, Militares e Maçônicas do Templo e de São João de Jerusalém, Palestina, Rodes e Malta; Presidente do Conselho Consultivo, do Capítulo “Cavaleiros do Templo”, N° 46/701 e do Priorado “Cavaleiro de Sangreal”, N° 149, subordinado ao Supremo Conselho da Ordem Demolay Para a República Federativa do Brasil; Pesquisador de assuntos concernentes às Ordens de Cavalaria Medieval, tendo se especializado na História Oculta dos Templários, aos quais está ligado por meio de certas Sociedades Herméticas Francesas, onde ainda se pratica o Templarismo Primitivo.

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