A Rosa-Cruz originou (ou foi encampada) da franco-maçonaria. Esta agremiação serviu de acobertamento para a conspiração contra o grande imperador francês, mas paralelamente encontramos a maçonaria inglesa, que também se proclama herdeira dos conhecimentos templários. Com isso, isso está armado. Duas ordens maçonicas, cada qual brigando peladescendência espiritual verdadeira da ordem dos templários. Antes de falar pouco mais a respeito, lembremos que isso vai contra tudo o que a maçonaria prega, como a fraternidade, a irmandade e a humildade.

Sabemos que o encampamento dos rosa-crucianos pela franco-maçonaria deu a estes o “crédito” de ter promovido a revolução francesa e o guilhotinamento de Luis XVI. Nestas alturas, os franco-maçons já diziam que, para declarar antiguidade, a Ordem Franco-Maçônica teria nascido no Egito e que Moisés comunicou a doutrina secreta aos israelitas que foi transmitida aos Cavaleiros do Templo através do Templo de Salomão. De acordo com a Loja Cavaleiros da Cruz (inglesa), Jacques de Molay teria deixado os “mistérios da ordem do templo”, que se constituiam de estudos metafísicos e conclusões templárias acerca de vários assuntos ligados ao esoterismo da Ordem.

Esse material teria passado à Pedro de Bologna, chefe do clero templário e companheiro de prisão de Molay. Pedro de Bologna, já com fuga preparada, em posse desses documentos, foi se refugiar na Escócia, na época, uma espécie de redutos dos templários da Europa. Lá chegando passou os documentos aos irmãos Hairlss Marschaly e Aumont para que pudessem reestruturar a ordem. A doutrian templária e seus mistérios foi discutida e incorporada aos rituais maçônicos que afloravam na Escócia.

Desta mistura de princípios, de doutrinas, uma das principais contradições da Ordem Inglesa, foi a exigência dos novos iniciados de declararem “católicos romanos”, que surgiam de forma estranha para quem tinha sido destruído pela igreja, e também, filosoficamente, pregava uma unidade universal, achando que a igreja católica era apenas mais uma facção religiosa. O quadro da época, filosoficamente, era um tanto complicado: a franco-maçonaria francesa era tida como um pretexto para banquetes e reuniões galantes, onde fidalgos, homens de letras e filósofos se reuniam sob o pretexto e a insígnia Rosa-Cruz. Tudo era divertimento até que a Inglaterra, Alemanha, Suiça, Suécia, Dinamarca e Rússia passaram a “invadir” sutilmente os meios maçons franceses, com palavras que iam da filantropia à ciência, passando por felicidade e virtude.

É o surgimento de pequenos grupos em todas as cidades, que se reuniam sob o pretexto de ciência, beneficência e divertimento, mas que na verdade, alegando liberdade de expressão, começou a mudar o sentir e o pensar da Europa, criando até, de certo modo, uma forma de ditadura discreta, impondo decisões e sem tolerância de resistências. Perante a igraja nada estava acontecendo. A extinta Ordem Templária tinha se tornado a Ordem de Cristo e estava sob controle total da igreja. Para os templários portugueses – sem esquecer que a primeira estância de fuga dos templários foi Portugal, justamente por terem expulsado os mouros da Península Ibérica, se mantiveram alheios à este Neotemplarismo surgido, como se nada tivesse a ver com a Ordem de Jacques de Molay. Em termos mais modernos, a decisão foi feita de forma que a franco-maçonaria francesa virou nacionalista e racista, enquanto a inglesa tornou-se humanitária internacionalista, pregando a doutrina universal.

Na referência a doutrina adotada pela franco-maçonaira francesa encontramos até mesmo a alemã, na organização do Partido Nazista. No livro de Hermann, “Hitler m’a dit” (Hitler me disse), publicado em 1939, em Paris, o autor apresenta um depoimento de Hitler nas seguintes palavras:”O que de perigoso há nestas pessoas é o segredo da sua seita, e foi justamente isto que elas me ensinaram. Formam uma espécie de aristocracia eclesiástica.

Reconhecem-se entre si por meio de sinais especiais. Desenvolveram uma doutrina esotérica que não é formulada em termos lógicos, mas em símbolos que gradualmente se revelam aos iniciados.

O que aconteceu com a maçonaria foram acusações mútuas, sobre irregularidades. É importante frisar que a maçonaria propriamente dita é uma forma de associação calcada na ação da necessidade e da inteligência. Encontramos como forma de maçonaria a Ordem Rosa-Cruz, os Iluminados, os Martinistas, os Carbonários, a Máfia(que tem propósitos políticos) e outras Ordens e organizações das mais variadas correntes e países. Com o desaparecimento a luz do dia da Ordem do Templo, vieram outras formas de maçonaria, com novos rituais místicos e filosóficos. Todas, a bem da verdade, agiam sob a bandeira da “liberdade”, do laço “fraternal”, proporcionando a todos os povos a “igualdade”. O sentido universal fez com que aparecessem outras “lojas maçônicas”, justamente pelo temor de uma ordem universal tomasse conta do mundo.

Por isso, cito a abertura da loja que imitava o Templo de Salomão em Paris, e que teve a benção de Napoleão para enfraquecer a igreja católica. O monopólio doutrinário, filosófico, que, de certa forma atingia o mundo, incomodava as autoridades. O sentido da igualdade como mola mestra da liberdade e da fraternidade, queira ou não coloca sob suspeita, para quem conhece mais a fundo a antiguidade, a gnose e os rituais: é realidade – havia uma organização onde todas as figuras proeminentes tomavam parte.

Se havia necessidade de pessoas que manipulassem secretamente a sociedade, é porque havia esta necessidade popular. Acima de qualquer ordem iniciática ou forma de organização, a franco-maçonaria era mais perfeita que todas as organizações.

Deixar resposta

Seu endereço de email não vai ser publicado.