Anualmente, a Sociedade Veteranos de 32 realiza 3 Cerimônias no Memorial – Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932, onde mantém viva a luta de São Paulo para restaurar a Democracia no Brasil na época da ditadura de Getúlio Vargas.

Um pouco da História:
Antes da Revolução, os paulistas já estavam extremamente insatisfeitos com o governo Vargas. Naqueles dias, os Governadores eram indicados e nomeados por Getúlio Vargas, e eram denominados interventores estaduais.

Apesar de Pedro Manuel de Toledo ter sido nomeado interventor em São Paulo, o Governo Federal não o deixava governar o Estado com tranquilidade, sempre intervindo nas decisões administrativas e políticas importantes.

Por conta disso, um grande comício foi organizado em 25 de Janeiro de 1932, onde reuniram-se mais de 200 mil paulistas, para que fosse formada uma Assembléia Geral Constituinte. Depois do sucesso desse movimento, vários outros comícios foram realizados e a ideia da formação da Assembleia Constituinte foi tomando corpo e força.

O governo interventor não tinha autonomia para administrar o Estado, nem os secretários e o chefe de polícia eram escolhidos por ele. Essa intervenção direta do poder Federal sobre o Estado de São Paulo fez com que os paulistas aumentassem a oposição à ditadura de Vargas.

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um grande marco, não só para a história da sociedade paulista, como também teve grande influência na história do Brasil, visto que ela foi responsável por iniciar grande oposição contra o governo provisório instituído por Getúlio Vargas, que subiu ao poder após lograr êxito em um golpe militar ocorrido em 1931, pondo fim à Velha República e derrubando a Constituição vigente.

Em 23 de Maio de 1932, durante um movimento popular em prol da formação de uma Assembléia Nacional Constituinte, quatro estudantes foram mortos em confronto com as tropas federais, transformando-se em estopim e bandeira para que a Revolução Constitucionalista tomasse corpo e efetivamente começasse.

Em 9 de Julho de 1932, o Governador Interventor de São Paulo, Pedro de Toledo, Maçom, Past Grão-Mestre do Grande Oriente de São Paulo, declarou guerra ao Governo Federal. No início, os paulistas contavam com o apoio de tropas de diversos Estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, mas Getúlio Vargas, numa rápida manobra política conseguiu quebrar essa aliança, isolando São Paulo. Toda a sociedade paulista engajou-se no ideal de liberdade da Revolução. As senhoras da alta sociedade vendiam suas jóias para arrecadar fundos e ajudarem na compra de armamentos, confecção de uniformes, além de trabalharem no front, como enfermeiras e cozinheiras. A guerra teve duração de 87 dias, encerrando em 4 de Outubro de 1932. Dados indicam que as tropas Federais tinham, aproximadamente, 120 mil soldados, enquanto que as tropas paulistas em torno de 40 mil. Mesmo com essa grande diferença e sendo atacados por terra e por ar, os soldados paulistas lutaram bravamente pelo ideal de liberdade, escrevendo um capítulo importante na história de nosso País.

Datas importantes ligadas à Revolução de 1932

23 de Maio, 9 de Julho, 2 de Outubro, que a maioria dos cidadãos paulistas e brasileiros conhecem apenas como nomes de ruas e avenidas da cidade de São Paulo, são datas marcantes na luta dos paulistas para que houvesse a formação de uma Assembléia Nacional Constituinte, a fim de restaurar a Democracia no Brasil, pondo fim ao Regime Ditatorial imposto por Getúlio Vargas a todos os Brasileiros.

3 de Maio de 1932 – foi o dia em que os quatro estudantes, Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo foram mortos por tropas Federais, fazendo surgir a Sigla MMDC, que foi a bandeira utilizada pelos paulistas durante a Revolução Constitucionalista daquele ano.

9 de Julho de 1932 – tem início a Revolução Constitucionalista no Brasil, onde São Paulo, através de seu Governador Interventor Pedro de Toledo, Past Grão-Mestre do Grande Oriente de São Paulo, declara Guerra ao Governo Ditatorial Federal, tendo como objetivo a restauração da Democracia no Brasil.

2 de Outubro de 1932 – esse dia marca a cessação das hostilidades entre as Forças Federais e os Revolucionários Constitucionalistas paulistas.
4 de Outubro de 1932 – término da Revolução Constitucionalista, com a vitória das Forças Federais sobre os paulistas.
Texto elaborado: Irmão Gerson Magdaleno

Dia 02 de Outubro de 2012
Nesta data, onde se comemorou o 80º ano de aniversário de Cessação das hostilidades da Revolução Constitucionalista de 1932, o Eminente Irmão Mario Sergio Nunes da Costa, Grão-Mestre do GOSP e Poderoso Irmão Gerson Magdaleno, Secretário Adj. De Orientação Ritualística do GOSP, foram laureados pela Sociedade Veteranos de 32 – MMDC, com a Medalha e Diploma “Governador Pedro de Toledo”. A Homenagem foi feita em Cerimônia solene no Mausoléu do Soldado Constitucionalista, no Ibirapuera, São Paulo – Capital.
Texto elaborado: Irmão José Aleixo Vieira

Mausoléu do Soldado Constitucionalista

O Monumento-Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 1932 se destaca na paisagem, com seu obelisco de 72 metros de altura revestido de mármore travertino. No subsolo, uma cripta em forma de cruz grega abriga uma capela e os despojos dos ex-combatentes. Popularmente conhecido como “Obelisco do Ibirapuera”, homenageia a Revolução Constitucionalista de 1932, seus heróis anônimos, “mártires”, a causa constitucionalista, as personalidades que mais se destacaram, como o poeta Guilherme de Almeida, que era Maçom do Grande Oriente de São Paulo e o “tribuno” Ibrahim Nobre, também Maçom do Grande Oriente de São Paulo, bem como o dia em que foi deflagrada a revolta armada contra o governo de Getúlio Vargas – “9 de julho”. A simbologia do 9 de julho foi explorada pelo escultor Galileo Emendabili ao projetar um obelisco que, da base ao topo, tem 72 metros de altura (7+2=9); da cripta ao topo tem 81 metros (8+1=9), sendo que 81 também é o quadrado de 9; pela soma aritmética de 72 e 81, também se chega ao número 9 (7+2+8+1=18 (1+8=9)).

Cada face do obelisco volta-se para um dos quatro pontos cardeais. Em cada uma delas, encontram-se quatro figuras em alto-relevo, com 5,75 metros de altura. Os dezesseis relevos ornamentam o terço inferior do obelisco e aludem à luta militar da Revolução de 1932 e aos feitos dos bandeirantes. Entre os relevos, estão inscritos versos de Guilherme de Almeida:

AOS ÉPICOS DE JULHO DE 32 QUE, FIÉIS CUMPRIDORESDE SAGRADA PROMESSA FEITA A SEUS MAIORES OS QUE HOUVERAM AS TERRAS E AS GENTES POR SUA FORÇA E FÉNA LEI PUSERAM SUA FORÇAE EM SÃO PAULO, SUA FÉ.

Na base do obelisco, duas portas de bronze com cerca de 3,5m de altura por 2m de largura, instaladas nas faces norte e sul, denominam-se Porta da Vida e Porta da Glória, respectivamente. Com cenas em alto-relevo, a primeira exalta a capacidade de trabalho do povo bandeirante, enquanto a outra retrata a partida dos voluntários para as linhas de frente e o sacrifício dos jovens.

Na entrada da cripta, três arcos lembram as arcadas da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, de onde saíu grande parte dos constitucionalistas. Acima dos arcos, encontra-se a inscrição:

VIVERAM POUCO PARA MORRER BEM MORRERAM JOVENS PARA VIVER SEMPRE

As primeiras providências para a construção de um monumento ao soldado constitucionalista de 1932 foram tomadas em 1934, com a criação de uma Comissão Pró-Monumento por personalidades de destaque da sociedade paulistana. Um concurso público para a escolha do projeto foi realizado em 1937. O edital exigia que a obra fosse eminentemente arquitetônica e não apenas escultórica, devendo destinar espaço para acolher as urnas funerárias dos chamados “heróis constitucionalistas”. Para a seleção final, classificaram-se Mário Ribeiro Pinto e as duplas Galileo Emendabili e Mário Eugênio Pucci, Yolando Mallozzi e Arnaldo Maria Lello.  Os projetos foram expostos no foyer do Theatro Municipal de São Paulo, atraindo grande público. Da comissão julgadora faziam parte Mário de Andrade, Júlio César Lacreta, Amador Cintra do Prado, Dácio A. de Moraes e Victor Brecheret. Por decisão unânime, o trabalho de Galileo Emendabili (Ancona, Itália, 1898 – São Paulo, 1974) e Mário Eugênio Pucci (São Paulo, 1908 – 1985) foi selecionado. Pucci era engenheiro e ficou responsável pela parte técnica da construção.

Apesar dos esforços na arrecadação de fundos para a construção, o projeto não saiu do papel durante todo o período da ditadura Vargas, contra quem se fizera a “Revolução”. Entre as muitas dificuldades, as verbas disponíveis não cobririam os custos com mão-de-obra e materiais.

O lançamento da pedra fundamental ocorreu no dia 9 de julho de 1949. Tanto o Governo do Estado quanto a Prefeitura destinaram recursos para a construção, a cargo da “Fundação Monumento e Mausoléu ao Soldado Paulista de 32”. O Decreto Municipal nº 1.078 de 6 de julho de 1949, determinava que o “Monumento aos Mortos de 32” deveria ser erigido “na parte central da praça circular localizada no prolongamento da avenida Brasil, a 1.100 metros, aproximadamente, da avenida Brigadeiro
Luís Antônio.”

As obras começaram em 1950 e, cinco anos depois, o monumento foi inaugurado parcialmente. A partir de então, todos os anos, durante as cerimônias do “9 de julho”, os restos mortais de inúmeros ex-combatentes passaram a ser transladados para a cripta. À Sociedade Veteranos de 32 – MMDC cabia a organização dessas solenidades e a administração do monumento. A conclusão das obras ocorreu somente em 1970.

A partir de 9 de julho de 1991, a direção do monumento-mausoléu foi confiada, em caráter perpétuo, à Polícia Militar do Estado de São Paulo, na pessoa do comandante da Academia do Barro Branco, Escola Superior de Formação de Oficiais da Polícia Militar.

Dada a série de dificuldades com a conservação do monumento-mausoléu ao longo dos anos 1990 e começo dos anos 2000, a Prefeitura e o Governo do Estado assinaram um convênio em junho de 2006, através do qual a Prefeitura passou a se responsabilizar pelo projeto paisagístico, ajardinamento, limpeza, conservação e segurança da praça em que está implantado, enquanto a responsabilidade pelo restauro e administração ficou a cargo do Governo do Estado.

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