Muito se fala na Maçonaria sobre o desbastar da pedra bruta, sobre o trabalho que temos que executar sobre nós mesmos, a fim de atingir o aperfeiçoamento, a sabedoria, a grandeza de espírito que todos almejamos. Esse trabalho é, por vezes, árduo, demorado e, na maioria absoluta das oportunidades, nunca se atinge o objetivo por completo, não por falta de tempo ou de esforços, mas pela simples explicação que toda vez desbastamos uma parte da pedra vemos outras imperfeições que necessitamos novamente corrigir. Esse trabalho, portanto, é eterno e quanto mais se trabalha, mais exigentes ficamos com nós mesmos e mais queremos melhorar.
A Maçonaria orienta e direciona seus obreiros exatamente neste sentido, no trabalho individual constante, intrincado, afim de refinar todas as virtudes que a maioria das pessoas já possui e não se focam em depurar, colocar em uso. Essa busca é também descrita em outras seitas, religiões e organizações que conduzem seus participantes a fim de serem melhores em seus trabalhos e no convívio social.

Muitas pessoas deixam a Maçonaria em diversos momentos da vida, ou porque acham que a maçonaria nada mais tem a lhes oferecer, ou por terem a certeza de ter atingido alto grau de sabedoria. Triste engano! Fadados a se perderem do caminho, acabam por sucumbir-se frente às dificuldades que a vida lhes proporciona, e muitas vezes encontram nos verdadeiros irmãos e na Maçonaria apoio para se reestruturarem na vida. A fim de resgatar antigos ensinamentos, que tudo tem haver com os ensinamentos de nossa Sublime Ordem, utilizo-me de uma metáfora antiga que remonta a centenas de anos, mas que, até hoje, exemplifica perfeitamente a realidade que vivemos, demonstrando que bens materiais nunca serão mais importantes que grande instrução, ciência, erudição e sabedoria, pois quem aqui não gostaria de ser RICO, de ter grande poder econômico, de ser importante, reconhecido, admirado, pois de acordo com “ISSAC NEWTON” O que sabemos é uma gota; o que ignoramos é um oceano.

Esta metáfora está inscrita numa lenda riquíssima, denominada, “O TESOURO DE BRESA”, que assim transcrevo;
“Enedim, homem inteligente e trabalhador, que não perdia a esperança de vir a ser riquíssimo. Como e onde, no entanto, encontrar um tesouro fabuloso e tornar-se, assim, rico e poderoso? Um dia, parou na porta de sua humilde casa um velho mercador da Fenícia, que vendia uma infinidade de objetos extravagantes. Por curiosidade, Enedim começou a examinar as bugigangas oferecidas, quando descobriu, entre elas, uma espécie de livro de muitas folhas, onde se viam caracteres estranhos e desconhecidos. Era uma preciosidade aquele livro, afirmava o mercador, e custava apenas três dinares.

Era muito dinheiro para o pobre alfaiate, razão pela qual o mercador concordou em vender-lhe o livro por apenas dois dinares.
Logo que ficou sozinho, Enedim tratou de examinar, sem demora, o bem que havia adquirido. E qual não foi sua surpresa quando conseguiu decifrar, na primeira página, a seguinte legenda: “O SEGREDO DO TESOURO DE BRESA.” Que tesouro seria esse? Enedim recordava vagamente de já ter ouvido qualquer referência a ele, mas não se lembrava, onde, nem quando. Mais adiante decifrou: “O tesouro de Bresa, enterrado pelo gênio do mesmo nome entre as montanhas do Harbatol, foi ali esquecido, e ali se acha ainda, até que algum homem esforçado venha encontrá-lo.” Muito interessado, o esforçado tecelão dispôs-se a decifrar todas as páginas daquele livro, para apoderar-se de tão fabuloso tesouro. Mas, as primeiras páginas eram escritas em caracteres de vários povos, o que fez com que Enedim estudasse os hieróglifos egípcios, a língua dos gregos, os dialetos persas e o idioma dos judeus. Em função disso, ao final de três anos Enedim deixava a profissão de alfaiate e passava a ser o intérprete do rei, pois não havia na região ninguém que soubesse tantos idiomas estrangeiros.

Passou a ganhar muito mais e a viver em uma confortável casa. Continuando a ler o livro, encontrou várias páginas cheias de cálculos, números e figuras. Para entender o que lia, estudou matemática com os calculistas da cidade e, em pouco tempo, tornou-se grande conhecedor das transformações aritméticas. Graças aos novos conhecimentos, calculou, desenhou e construiu uma grande ponte sobre o rio Eufrates, o que fez com que o rei o nomeasse prefeito. Ainda por força da leitura do livro, Enedim estudou profundamente as leis e princípios religiosos de seu país, sendo nomeado primeiro-ministro daquele reino, em decorrência de seu vasto conhecimento.

Passou a viver em suntuoso palácio e recebia visitas dos príncipes mais ricos e poderosos do mundo. Graças ao seu trabalho e ao seu conhecimento, o reino progrediu rapidamente, trazendo riquezas e alegria para todo seu povo. No entanto, ainda não conhecia o segredo de Bresa, apesar de ter lido e relido todas as páginas do livro.
Certa vez, então, teve a oportunidade de questionar um venerando sacerdote a respeito daquele mistério, que sorrindo esclareceu…

– O tesouro de Bresa já está em seu poder, pois graças ao livro você adquiriu grande saber, que lhe proporcionou os invejáveis bens que possui. Afinal, Bresa significa “saber”…

Com estudo e trabalho, pode o homem conquistar tesouros inimagináveis. O tesouro de Bresa é o saber, que qualquer homem esforçado pode alcançar, por meio dos bons livros, que possibilitam “tesouros encantados” àqueles que se dedicam aos estudos com amor e tenacidade. Meus Irmãos, inúmeras são as metáforas que descrevem situações que nos fazem refletir sobre o aperfeiçoamento do homem, sua espiritualidade, a sabedoria, que tantos almejam a riqueza, os medos, o sucesso, entre outros. Mas todos os contos, metáforas, ensinamentos, religiões, seitas, organizações são unânimes em afirmar que o crescimento individual do ser humano está nele mesmo, e mais que isso, depende somente da força de vontade, do objetivo e determinação que o homem tem de ser feliz, de ser melhor, de atingir a plenitude e sabedoria.

Nossa Sublime Instituição é rica e profícua em seus ensinamentos, já que congrega conhecimentos vastos e perfeitos de várias eras e povos, nos brindando com um arcabouço maravilhoso de instrumentos para nosso aperfeiçoamento moral e pessoal. Aproveitemo-la e dediquemos nosso tempo de estudos em conhecê-la. Que essas palavras entrem em nossos corações e nos conscientizem da necessidade diária de trabalharmos em nossa pedra bruta, e que quando acreditarmos que nossa pedra está perfeita, que tenhamos a capacidade de enxergarmos tantos outros defeitos que nos façam analisá-la e desbastá-la ainda mais e eternamente em busca de nosso aperfeiçoamento moral.

QUE O G∴A∴D∴U∴ SEMPRE NOS ILUMINE E GUARDE.

Sobre o Autor

ARLS Fraternidade Sergipense, nº11 Oriente de Aracaju • GLMES/CMSB

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