Sobra razão no entendimento do constituinte de 88 ao incluir, na responsabilidade pela educação brasileira, não somente o Estado, mas também a FAMÍLIA, e não falava no papel desta como um gesto complementar, senão ao nível de uma parceria. Quero crer que não poderia jamais ser diferente, porque o procedimento educacional se inicia no âmbito da família.

É no seio da família que começa tudo, da aquisição das boas maneiras (ou más) aos primeiros passos da formação cidadã. Tão evidente e tão sério este fato que Ruy Barbosa, nos albores do século XX, dava à família a condição de síntese da pátria. O estado de saúde ou doença da pátria, nos seus ensinos e conclusões, seria uma ampliação da higidez da família, “multiplicai a célula e tendes o organismo; multiplicai a família e tereis a Pátria”.

Recordo o Jornal do Commercio (Recife), em seu editorial de 13.02.2007, onde presta valiosa contribuição ao discernimento do papel da família, responsabilizando sua indiferença ou sua desagregação pelas piores mazelas que afligem os adolescentes. Excerto do editorial: “a família deve continuar sendo a fonte mais saudável na formação da criança e do adolescente, do seu caráter, de sua realização como cidadão e pessoa humana. É a primeira escola de valores. O ensino formal e a pregação religiosa ou cívica só vêm depois, quando o arcabouço da personalidade já foi modelado pelos pais.”

Na atualidade brasileira, em que predomina a pobreza e, para muitos, escasseiam as finanças e o saber, (pois segundo o Inaf só 27% dos brasileiros são plenamente alfabetizados, mesma posição de 2001) e em consequência disto diminui a qualificação profissional, levando os pais a permanecerem mais tempo nos postos de trabalho com vistas à obtenção de um acréscimo no ganho, os filhos ficam em casa ao Deus dará, as crianças mais novas aos cuidados das crianças mais velhas, que deixam de ir à escola para, em casa, cuidarem dos menores. A 7ª economia do mundo que se jacta dessa condição, deveria mesmo era se envergonhar do estado em que se acha a educação pública, sobretudo no que tange ao ensino médio.

É preciso, diante disto, que se encontrem formas auxiliares com que se tente corrigir esses descaminhos. Cobrar-se, por exemplo, do governo, a existência da escola em tempo integral, com ensino de qualidade e cursos profissionalizantes. Mais ainda: que exista nela uma assessoria aos gestores, e os pais tenham presença cativa nessa assessoria, não só para as sugestões, mas também, para ali, poderem acompanhar a formação de seus filhos. Um novo e admirável papel da escola, com a assistência da família. Uma contribuição à prática e à eficácia da futura lei da responsabilidade educacional.

Outro papel, para os pais, nestes tempos da cibernética. A garotada está ligada nas redes sociais, se não pelo notebook ou pelo iPad, mas pelo celular, pelo computador. Torna-se uma exigência para os pais, em face disto, estarem senhores desses meios de comunicação, para o acompanhamento da vida dos filhos. O computador pode não estar em casa, mas está disponível na lan house que, hoje em dia, ampliou suas funções, passando a ser também um ponto de encontro social.

É o espírito do tempo que agora, mais que nunca, em virtude da velocidade no campo da inovação e do progresso tecnológico, exige mais comprometimento da família. Do gesto de amor da família para com os seus descendentes, e com a Pátria, porque a indiferença (que será uma irresponsabilidade) abrirá espaços a veredas perigosas por onde já perambulam milhares de jovens sem rumo nem futuro, desabrigados e desamparados, com recurso às drogas e apelo à violência, órfãos de pais vivos, ou como se expressou o Senador Marco Maciel, em memorável discurso de texto publicado no Diário de Pernambuco, edição de 15.01.1994: portadores da “síndrome da personalidade sem afeto”. Cabe refletir: “A educação, um direito de todos, é dever do Estado e da Família…”
CF, Art.205.

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