Continuação

6. O Altar dos Perfumes
Originalmente construído em Madeira de Acácia, revestida de ouro puro e sua borda constituída de uma única peça inteira também de ouro puro, além de argolas para passar os dois varais. Conforme o livro do Êxodo XL:26, localizava-se em frente a cortina, diante do véu.
Na Maçonaria, tanto no simbolismo quanto nos altos graus, tem o significado e apetrechos apropriados a função de espargir o perfume dos incensos queimados dentro do recinto. No templo de Salomão, se situava próximo a entrada do Santo dos Santos (Sanctus Sanctorum), onde sacerdotes queimavam ervas aromáticas em homenagem a Deus, assim como, várias religiões orientais também o fazem, sempre acompanhando o ato com orações, mantras sagrados e outras demonstrações da fé religiosa.
A figura acima ilustra a Disposição da Câmara do 4º Grau – Mestre Secreto:
(1) Trono do Poderosí∴ M∴, do Rei de Tiro, Hiram, e a Mesa triangular com os Cetros e Candelabros de Três Luzes
(2) Mesa do 1º Vig∴ (Adonhiram), com o Candelabro de Três Luzes
(3) Mesa do 2º Vig∴ (Moabom)
(4) Secr∴ (Joaben)
(5) Tes∴ (Jabulum)
(6) Orad∴ (Abdamon)
(7) Chanc∴
(8) M∴ de CCer∴ (Stolkin)
(9) Gua∴ da Tor∴ (Zerbal)
(10) 1º Exp∴
(11) 2º Exp∴
(12) Mesa com a Arc∴ da Ali∴, TTab∴ da L∴, Urna do Maná, e Vara de Aarão
(13) Cand∴ de Sete Velas, Menorá
(14) Mesa dos P∴ Prop∴ (12)
(15) Altar dos Perfumes (Braseiro e incenso)
(16) Altar dos JJur∴ com o L∴ S∴, candelabro de Três Luzes e Est∴ do Supr∴ Cons∴ do Brasil do Grau 33 para o REAA∴
(17) Altar dos SSacrif∴
(18) Iniciando
(19) Assentos para os IIr∴
(20) Painel com o emblema do Gr∴ no centro e uma coroa de cada lado
(21) Hosp∴
(22) Cobr∴
(23) M∴ de Marm∴
(24) Estandarte
(25) Bandeira do Surp∴ Cons∴
(26) Pavilhão Nacional

O-ALTAR-DOS-PERFUMES-E-SEUS-MISTÉRIOS-
NA-MAÇONARIA-2-

Dentro destes simbolismos, se explica a utilização e a origem do Altar dos Perfumes na Maçonaria, e que o costume vem eliminando das Lojas e associando-o ao Altar dos Juramentos. Separado, deverá situar-se no Oriente, em frente ao Trono do Venerável. Sobre ele estará o turíbulo e a naveta de incenso. A fusão dos dois altares atende à parte prática da Loja porque, de maneira geral, o Oriente de uma Loja é sempre um local acanhado e o que menos se tem ali é espaço. Mais um altar diminuiria o espaço já exíguo, mas a fusão contraria frontalmente o esquema filosófico da Maçonaria que procura atender sempre ao simbolismo perfeito e de explicação relativamente fácil.

Com o Altar dos Perfumes individualizado, o simbolismo não sofre qualquer restrição eis que, com ele completar-se-á o número simbólico de nove altares. Nove é o “princípio da Luz Divina Criadora, que ilumina todo o pensamento, todo desejo e toda obra e exprime externamente à obra de Deus, que mora em cada homem, para descansar depois de concluir a sua obra”, O número oito, quando não há o Altar dos Perfumes, é o símbolo natural do equilíbrio e da Justiça, e que simboliza o Princípio da Correspondência de Hermes que afirma que:
“O que está em cima é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima2”

7. Conclusões
O Altar dos Perfumes é mais um símbolo do Sagrado, um símbolo da prece presente no templo em nossas sessões da Loja de Perfeição. Lembra-nos a importância de termos uma Egrégora forte presente em nossas sessões para estarmos em harmonia e sintonia com o G∴A∴D∴U∴. Ele não aparece mais em nossas Lojas Simbólicas, pois está sendo fundido ao Altar dos JJur∴, mas permanece importante em vários dos Graus Inefáveis.Nos ajuda através do efeito que os Perfumes exercem em nossos sentidos físicos, a uma concentração em um nível diferenciado, e também nos lembra que acima de tudo, somos mais que o corpo físico, somos espírito!

Mais uma vez podemos observar a beleza e a riqueza da Simbologia Maçônica, um quadro que iremos pintar ao longo de nossa vida através do estudo da Arte Real. Este trabalho é mais uma pequena pincelada nesta augusta obra.

1) Diferença em fumigação e incensarão – O ato de fumigar significa expor a fumaça, ou a vapores com a intenção de desinfetar o ambiente de vibrações negativas. Já a incensação tem um sentido de perfumar o ambiente ou ainda de oferenda ao Incognoscível. Assim como a música, o incenso possui uma ação anti-séptica certa, e esta ação física é acompanhada de ação psíquica, procurando dessa forma um estado de alma particular, propício à elevação espiritual.

2) Quod superpus est sicut quod inferius, et quod inferius est sicut quod superius; Diz-se “O que está em cima é como o que está em baixo, isto é, análogo e correspondente, mas não igual, nem semelhante. Dizemos semelhantes as coisas que tem aparência comuns; dizemos iguais as coisas que tem dimensões iguais. Uma coisa é análoga e correspondente a outra quando tem função correspondente e análoga. Assim na constituição humana o ventre é correspondente à boca, o peito ao nariz e a cabeça aos olhos e aos ouvidos, porque a boca sendo a entrada do ventre tem uma função análoga, porém mais elevada que ele, o mesmo dá-se com o nariz para com o peito e a cabeça para com os olhos e principalmente para com os ouvidos. Portanto seria erro dizer o que está em cima é como o que está embaixo, porque a matéria não é igual ao espírito, o céu não é igual à terra, o volátil não é igual ao fixo, etc…

Bibliografia

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– Aslan, Nicola; Instruções para Lojas de Perfeição (o 4º Grau), Editora Maçônica, 1979
– Aslan, Nicola; Instruções para Lojas de Perfeição (o 4º a o 14º Grau), Editora Maçônica, 1980
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– Castellani, José & Trolha, Xico; O Mestre secreto – Grau 4, Editora Maçônica “A Trolha” Ltda, 3ª edição, Londrina, 2002
– Castro, Boanerges Barbosa de, O Templo Maçônico e seu Simbolismo, Ed. Aurora, 3ª Edição,1979
– Iniciados, Três; O Cabaileon: estudo da filosofia hermética do Antigo Egito e da Grécia, 
Editora Pensamento, 1ª edição, São Paulo, 1983
– Ordem Rosacruz AMORC; Significado e uso do Incenso; 
Discursos Rosacruzes, 1979
– Supr∴ Cons∴ do Brasil do Grau 33 para o R∴E∴A∴A∴; 
Ritual do Grau 4 Mestre Secreto; 
Campo de São Cristóvão n. 144, Rio de Janeiro, 2010
– Westcott, Willian Wynn, Coletânea Hermética, uma introdução ao Universo da Magia, da Cabala, da Alquimia e do Ocultismo; editora Madras, 1ª edição, São Paulo, 2003

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