A vida nas suas mais diversas formas.

Das manifestações primárias da vida como fungos, protozoários, bactérias, passando pela vida vegetal, animal, até a vida inteligente do homem, tudo é deslumbramento, os atores são os seres vivos, o cenário é a imensidão do cosmos, enfeitado por lantejoulas de astros, estrelas e planetas.

É nesse cenário espetacular que são pinçados os homens nas diversas camadas da sociedade, para comporem a sublime ordem. E essa grandeza se materializa na pluralidade de seus membros, oriundos de todas as raças, todas as crenças, todos os cultos, todas as filosofias. Por isso é que não há uma forma estereotipada de conduta dos maçons nas lojas. E também não é uniforme a direção de cada loja. A condição para sermos maçons, é que sejamos livres e de bons costumes. Preservando- se os bons costumes, nossa liberdade é irrestrita.

Nos primórdios do teatro os atores usavam uma espécie de máscara, que lhes cobria o rosto. Essas máscaras serviam para ocultar-lhes a identidade e, também para melhorar com suas vozes. Elas eram denominadas “per sonare”, surgindo daí a expressão personagem.

O teatro retratava a vida num espaço restrito, que é o palco. No cotidiano a humanidade é ao mesmo tempo palcos e platéia, estamos assistindo e fazendo parte de um grande drama composto de muitos atos.

Os nossos papéis transmutam-se, na infância somos saltimbancos de um circo fantástico onde nem tudo é magia, banda de música, pipocas, malabarismos e encantamento. É na infância que se firma o caráter, a personalidade.

A mocidade é uma saga de aventuras quando sempre achamos que somos o “mocinho”, e por nossa irreverência todos nos olham como bandidos, buscamos a mulher amada, procuramos conquistar nosso espaço, tentamos encontrar um papel para desempenhar na sociedade.

Depois de casados, procuramos montar da melhor maneira nossa peça familiar, e em parceria com aquela que mutuamente nos escolhemos, somos diretores, produtores e protagonistas. Geralmente, é nesse momento, nesse espaço temporal, que iniciamos na maçonaria.

A maçonaria é um instituição, que através de símbolos, emblemas e alegorias, nos passa uma doutrina baseada na moral e na razão. A loja é a nossa escola, aqui se postula tornar o homem mais forte. Fortaleza que não é aquela de Hércules, mas sim a daqueles que lutam por ideais mais puros e mais sublimes, para si, para sua família, para a sociedade.

Aqui é o centro magnético onde vamos recarregar nossas baterias, onde vamos reiterar os nossos princípios, os nossos objetivos e aqui, magnetizados pela comunhão de ideais e pensamentos, cada um tem sua aptidão nas mais diversas atividades sociais, vai trabalhando pelo aperfeiçoamento dos costumes, fazendo a humanidade um pouco mais feliz.

As grandes construções materiais são ordenadas pelo homem, enquanto ser social.

A doutrina maçônica consiste em construir homens construtores de sociedades.

Enquanto vivemos, da infância à nossa entrada nas sublimes ordens, sofremos mutações em nossa personalidade. Somos influenciados por nossos pais e parentes próximos, amigos, vizinhos, por uma publicidade que vende desde produtos a conceitos. O rádio, o jornal, a televisão, ferem nossos sentidos, nossa percepção, com mensagens explicitas e subliminares, e passamos a fazer parte da massa humana, de uma maneira uniforme homogênea, em outro momento estamos instalados à revolução, à contestação, a mudanças.

Na maçonaria reciclamos esses conceitos e aprendemos a tolerância, a hora de falar, e a de ouvir.

O G.’.A.’.D.’. U.’., criou o homem pronto e acabado. As intempéries, suas fraquezas, sua cobiça, tornaram-no tosco e grosseiro. A doutrina maçônica consiste em faze-lo retornar à sua primitiva forma, à semelhança de Deus, seu criador.

Alguns homens, por atavismo ou por formação, trazem dentro de si alguma forma de liderança latente. Eles vêem na ordem uma possibilidade de exteriorizar suas aptidões.

Passadas as emoções da iniciação, passados os momentos de ansiedade e curiosidade, cada iniciado vai tomando uma postura própria ao jeito e ao feitio de sua personalidade, uns, os mais arredios evitam falar, participar, encolhem-se em seu canto e com avidez observam a tudo e a todos, não emitem opiniões, não trocam idéias.

Conheço o caso de um aprendiz que apesar de assíduo e cumpridor das obrigações que se lhe atribuíam, recusava-se sistematicamente ao aumento de salário e ficou por três anos adornando a coluna do norte. Após esse período deslanchou, hoje é um mestre destacado em sua oficina.

Outros fazem amizade fácil, e com poucos meses de convívio sabem o nome de todos os irmãos. Participam de todos os acontecimentos apresentando-se sempre para executar todo tipo de tarefa.

Há os que procuram estudar com afinco tudo que diz respeito à Ordem; sua doutrina, seus ritos, sua liturgia e filosofia, em pouco tempo apresentam trabalhos literários belos na forma e conteúdo, defendem teses, tomam posições.

Alguns se posicionam na Ordem como se a mesma fosse um CLUBE de serviços. Fazem do templo um local de encontros com amigos e são adeptos de toda forma de lazer, com piqueniques, excursões, baile e jantares.

Temos aqueles cujo propósito é galgar posições e alcançar os píncaros da hierarquia maçônica. Na heterogeneidade desses amálgamas, existem os que postulam os cargos públicos, os cargos eletivos, e, geralmente, seus desejos coroam-se de êxito com a eleição para cargos mais diversos.

Dessas formas dispares de atitudes é que se plasma o todo. Aí é que está o segredo da Arte Real.

As emoções, os ensinamentos, a mística maçônica, não são coisas para esquecer, os irmãos que aparentemente deixaram a ordem, por não serem assíduos às sessões, poderão estar praticando nossa doutrina em outras fronteiras, em outras trincheiras.

Por mais efêmera que tenha sido sua passagem por nossos templos, ficarão gravados para sempre, de forma indelével em seu espírito; nossos ensinamentos, nossos símbolos e alegorias. De uma forma consciente ou não, a maçonaria estará sempre presente no âmago do ser de cada maçom.

Dentre todos os papéis que representamos em nossa vida, um dos mais difíceis e dos mais importantes é o de maçom.

Hoje, para se fazer ouvir alto e em bom som, não é necessária a máscara, nem tampouco precisamos ocultar nossa identidade. O personagem maçom não fica aguardando na coxia sua hora e vez, ele está em todo momento em cena aberta, não termina com o baixar do pano, seu papel não termina nunca.

Depois de iniciado se é maçom vinte e quatro horas por dia. As luzes da ribalta do sucesso não podem envaidecê-lo, e os focos multicoloridos vindos das gambiarras das bajulações não podem macular sua conduta. O aplauso que o maçom conhece é o sentimento do dever cumprido, é saber que, de alguma maneira, está contribuindo para o bem de sua família, sua cidade, seu país, e da humanidade.

A maçonaria está contribuindo para uma reversão de expectativa para nosso país, uma ação contrária às aves agoureiras, nós vamos afugentá-las.

Aos maçons, ao longo da história, sempre foi reservado um papel de vanguarda.

O Brasil é um grande continente, temos problemas em todos os campos.. Para resolvê-los, precisamos acreditar que somos capazes de levantar essa nação, combater o pessimismo é um dos papéis de nossa Ordem.

Não podemos prescindir da ajuda e do concurso de nenhum de nossos irmãos. Se tivermos irmãos adormecidos, vamos acordá-los, se inertes, vamos movimentá-los, se ausentes, vamos atraí-los para nosso convívio, vamos dar-lhes tarefas.

A maçonaria está vivendo um grande momento. Por toda a parte novas lojas são fundadas, novos Templos são erguidos.

A epopéia de nossa Ordem tem sido escrita através dos tempos, por diversas formas. Sempre com muito esforço e muito suor, e às vezes até com lágrimas. Ela começou a ser escrita no dia em que o homem viu seu semelhante caído, e não viu nele um alimento e sim um irmão, e ajudou-o, amparou-o. E ela só vai terminar no dia que imperar em nosso planeta a trilogia que é nosso lema “LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE”.

Vamos rever nossas atitudes e pensamentos, nossa forma de agir.

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