Introdução
Nesta Peça de Arquitetura busco apresentar os traços característicos do Rito Moderno. Com ele ofereço uma visão panorâmica de sua constituição, de seus fundamentos e de suas peculiaridades. Por um lado, o leitor poderá ganhar em amplitude de visão a partir dessa Peça a respeito do Rito. Por outro, poderá também perder em profundidade, visto que não há espaço suficiente para aprofundamentos.
Basicamente, apresento a origem do Rito e algumas diferenças em relação a outros ritos. Também trago seus traços fundamentais considerados a partir de diversos pontos de vista. Ao final, sustento que ele é um rito religiosamente agnóstico, politicamente laico e filosoficamente adogmático.
Antes de terminar, apresento algumas das doutrinas filosóficas e científicas que influenciaram a constituição do Rito Moderno, tais como o Iluminismo, o Racionalismo e o Humanismo. Uma boa leitura!

O Rito
Origem
O Rito Moderno foi criado na França, em Paris, no ano de 1761. Sua constituição se deu no ano seguinte: em 1762. Finalmente, foi proclamado em 9 de março de 1773 pelo Grande Oriente da França. O grão-mestre na ocasião foi Luis Felipe d’Orleans, cuja instalação foi em outubro de 1773. Inicialmente compunha-se apenas dos três primeiros graus e adotava as primeiras Constituições de Anderson, de 1723.

Suas diferenciações
O Rito Moderno enfatiza a Liberdade Absoluta de Consciência, ou seja, o respeito completo pelos juízos internos, íntimos de cada Irmão. São aquelas questões de política, religião, ideologia pessoal. Estas são reservadas ao indivíduo e nunca à Loja ou à Ordem como um todo, na visão do Rito. Nesse sentido, os Modernistas defendem e buscam fazer com que cada Maçom pense por si mesmo livre e criticamente.
Sua divisa é Liberdade, Igualdade, Fraternidade e só foi adotada no século XIX. Ela se encontra nos materiais impressos, nos estandartes e em documentos. Essa divisa constitui o Grito de Aclamação feito na abertura e no encerramento dos trabalhos. De forma mais clara possível: Liberdade, Igualdade e Fraternidade expressam a nossa utopia como construtores sociais.
Em contraposição à tendência espiritualista ou teísta de alguns ritos, o Rito Moderno se caracteriza por uma tendência filosófica, racionalista e humanista. É possível dizer que ele dá primazia à razão, à ciência empírica, em contraposição a algum tipo de fé ou experiência transcendental. É nesse sentido que se pode dizer ser o Rito agnóstico, embora seus membros não, necessariamente, o serão enquanto indivíduos.
Exemplo disso é a inexistência, em sua ritualística, de leituras bíblicas, preces ou qualquer menção a alguma entidade superior, nem em termos de “Grande Arquiteto do Universo”. A interpretação espiritualista dada por alguns ritos ao Olho que Tudo Vê é diferente: aqui ele é o emblema da ciência que “esclarece e que há de esclarecer cada vez mais os homens”. O olho, nesse símbolo, representa a sabedoria.
É como escreveu o Irmão Antônio Onías Neto certa vez: o Rito Moderno “não considera a Maçonaria como uma Ordem Mística, embora seus três primeiros graus estejam impregnados da mística das civilizações antigas. A busca da verdade, transitória e inefável, realiza-se pelo Aprendiz na intuição, pelo Companheiro na análise e pelo Mestre na síntese, num processo evolutivo e racional.”

Traços fundamentais
O Rito Moderno busca não ser dogmático: ele é adogmático. Perante todas as coisas possíveis de se conceber ele mantém sempre a possibilidade de crítica. Nesse sentido, ele é cético: não busca tomar nada de antemão como verdade absoluta. Concebe a verdade como provisória e em constante mutação. O Rito Moderno não é teológico. Ele é laico. O Rito Moderno não é deísta nem teísta. Pode ser dito como sendo agnóstico: ele suspende a possibilidade de conhecimento fora da experiência e da razão. Não é uma negação à existência de Deus ou de deuses, mas uma negação da possibilidade de conhecê-los.
Exemplos do traço racional/racionalista do Rito são os interrogatórios presentes no ritual de iniciação. Aqui, o candidato é posto frente a questões diversas relacionadas a si e à família, à ordem maçônica e à pátria, sempre tomadas do ponto de vista intelectual. O impacto causado sobre o candidato é tanto simbólico-intuitivo como abstrato-intelectual.

Influências
O Rito Moderno também foi influenciado por diversas doutrinas filosóficas e científicas presentes na época de sua constituição, ou seja, na Europa do século XVIII. Algumas dessas doutrinas que o influenciaram são: o Iluminismo, com sua ênfase na lucidez provinda da razão; o Racionalismo, com sua ênfase no uso da razão apoiado na lógica, sendo esses os instrumentos a serem usados para chegarmos ao conhecimento da verdade; o Positivismo, com sua ênfase nas ciências experimentais a fim de chegarmos ao conhecimento da verdade; o Empirismo, com sua ênfase na experiência cotidiana e científica que também nos leva a um melhor conhecimento do mundo natural; e o Humanismo, com sua ênfase no humano, pondo este em primeiro lugar, buscando sempre a melhoria de vida para todos.

Questões gerais 
relacionadas ao Rito
Hoje, o Rito Moderno ou Francês, como também é conhecido, possui três graus simbólicos e quatro filosóficos. Os três primeiros estão subordinados ao GOB. Os quatro últimos, ao Supremo Conselho do Rito Moderno.
Quanto ao Livro da Lei Maçônica – no caso a Constituição do GOB – ele permanece sobre o Triângulo dos Compromissos, tendo em cima o Esquadro e o Compasso. Diferentemente do que ocorre alhures, o Livro da Lei Sagrada fica fechado e em cima da mesa do Venerável. Diferente também é a ordem das colunas Norte e Sul e seus respectivos Vigilantes.
Os modos de reconhecimento nos 1° e 2° graus são diferentes em comparação com outros ritos. O início da Marcha se dá com o pé direito, e não com o esquerdo.
Por fim, no Rito Moderno a Palavra Sagrada do Aprendiz difere da de outros ritos também. (Para os modernistas, a palavra é “Tubalcaim”.)

Conclusão
Não obstante as diferenças, tal diversidade “não constitui fator de dissensão – escreve o Irmão Onías Neto – porque todos, além de serem unidos pelos fortes laços de Fraternidade e de um Ideal comum, obedecem a normas legais, tais como as Constituições do Grande Oriente do Brasil e dos Grandes Orientes Estaduais, ao Regulamento Geral da Federação, leis e decretos”.
Nesse sentido, podemos ver que o Rito Moderno é tolerante, imparcial e neutro quanto a questões que dizem respeito à consciência do maçom ou do candidato a entrar na Ordem Maçônica. Sob o lema “Maçom Livre numa Loja Livre”, ele não exige a aceitação categórica de vida futura nem alguma crença específica em Deus (ou em algum deus). Ele respeita incondicionalmente o modo de pensar de cada Irmão ou candidato.
É como escreve o Irmão Antônio Onías Neto: o Rito Moderno “procura ensinar que a ideia de Deus resulta da consciência e que as exteriorizações do seu culto não passam de um sentimento íntimo, que se pode traduzir das mais diversas maneiras”.
Pelas características vistas acima, podemos dizer que o Rito Moderno é um desafio. Um desafio que vale a pena encarar.

BIBLIOGRAFIA
– BATALLA, José Maria Bonachi. Breve histórico do Rito Francês ou Moderno, publicado no website Revista Textos&Texts, 2011.
– GRANDE ORIENTE DO BRASIL. Ritual: Rito Moderno, São Paulo 2009.
– MUNIZ, André Otávio Assis. Novo manual do Rito Moderno. Grau de Aprendiz (completo). São Paulo: A Gazeta Maçônica, 2007.
– NETO, Antonio Onías. Texto “Rito Moderno ou Francês”.
Disponível em: www.masonic.com.br/avental/mod00.html.
Acesso em: 1 jun. 2012.

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