Muito se tem escrito em boletins informativos, revistas e outros periódicos de Lojas Maçônicas, sobre o grau de Aprendiz, e muito pouco sobre os graus de Companheiro e Mestre.

Nessa edição do “Universo Maçônico”, nós abordaremos sobre a P.’.de P.’.do Comp.’.M.’. e os Mistérios de Ceres e Elêusis.

A P.’.de P.’.do Comp.’.M.’., tem suas origens na Bíblia (Juizes 12:1-7) na época em que um exército de efraimitas (homens de Efraim) atravessou o Rio Jordão para combater Jeftá, grande general dos gileaditas (homens de Gileade), que constituíam uma das 12 tribos de Israel. Como a P.’.resultou uma senha segura, o Rei Salomão, a usou, posteriormente, como P.’.de P.’.para os Comp.’. na construção do seu Templo, o Templo de Jerusalém. Esta P.’., foi adotada pela Maçonaria, tanto pela sua origem histórica, como pelo seu significado.

Ela significa “Fartura” e “Abundância”. Em hebraico significa “Espiga de Trigo” e, também, “Corrente de Água”. Daí ser representada no painel da Loja de Comp.’.como uma “Espiga de Trigo” junto a uma “Fonte d’água”.

O Trigo sempre foi considerado como um grão sagrado, indispensável à vida humana; o pão cotidiano, tomado por Jesus Cristo como símbolo de sua carne. Esotericamente significa a “Comunhão entre Irmãos”; seu ciclo representa a “Evolução da Vida”.

No que respeita a “Corrente de Água”, seu simbolismo foi tomado por ser a água um dos principais elementos da natureza, indispensável à vida.

O Trigo tem a propriedade de manter-se indefinidamente íntegro. Assim, também, deve ocorrer conosco; devemos permanecer íntegros, na expectativa de encontrar solo fértil para plantar nossas virtudes.

O crescimento deve ser vertical, pois dominamos a horizontalidade das paixões. A Espiga de Trigo cresce, ereta, na direção do sol. O Comp.’.M.’. deve verticalizar-se pelo conhecimento, pela tolerância e pelo exemplo de conduta.

A P.’.do Grau reúne, então, o significado de “Estabilidade Produtora”, “Caminho Fecundo”, “Espírito Elevado”, “Frutos Abundantes”, na passagem do primeiro para o segundo grau de nossa Ordem.

A P.’.de P.’. do Comp.’. para nós tem uma significação Iniciática. Ela relaciona-se, também, com os Mistérios de Ceres, cujo simbolismo era agrícola, e com os Mistérios de Elêusis, onde o Iniciado devia sofrer alegoricamente a sorte do Grão de Trigo, que morre no inverno sob a terra para renascer na primavera sob a forma de planta. Nos Mistérios de Elêusis, então, o Iniciado era comparado a uma Espiga de Trigo. Mas, que Mistérios são esses?

Elêusis era uma cidade da Ática, na Grécia, distante cerca de 22 km de Atenas. Aí se cultivou a Deusa Deméter, em majestoso Templo. Deméter era, na Mitologia Grega, a deusa da Terra, da Agricultura; era filha de Saturno e de Réia.

Os romanos compararam Deméter com a deusa similar Ceres. Ceres, portanto, entre os romanos era o símbolo da Terra e Campos Cultivados. Deusa das colheitas e da Agricultura; das Casas e da Civilização. Era filha de Saturno e de Réia e irmã de Júpiter (ou Zeus entre os gregos), e mãe de Prosérpina (ou Perséfona entre os gregos).

Certo dia, enquanto Prosérpina colhia flores nos campos, foi raptada por Plutão (Hades entre os gregos), deus dos infernos.

Ceres procurou-a, dia e noite, pelo mundo inteiro, até que finalmente se encontra com o sol, que lhe conta o rapto da filha. À vista da afronta e tomada de cólera contra a terra, Ceres nega-se a permitir que nela cresçam os grãos e os frutos. Júpiter finalmente resolve interceder junto a Plutão para que devolva Prosérpina, desde que esta nada houvesse comido enquanto no inferno. Desgraçadamente, porém, Prosérpina havia comido os grãos de uma Romã e, por isto, só lhe foi permitido passar seis meses do ano com a sua mãe e outros seis meses no inferno, como esposa de Plutão. Prosérpina, então, simboliza as sementes que permanecem sob a terra meio ano e depois frutificam, ou seja, as sementes que morrem no inverno sob a terra para renascerem na primavera sob a forma de planta.

Assim, também, deve acontecer conosco. Como Prosérpina, devemos constantemente nos “retirar” em nós mesmos, em meditação, estudo e reflexão, para, então, nos atirarmos no mundo, no trabalho, irradiando todos os nossos bons sentimentos, nossas virtudes, ajudando nossos semelhantes, em fim, cumprindo nosso objetivo de trabalhar para a felicidade humana.

Devemos, também, constantemente, reviver nossa Iniciação, onde a cada vez, morremos para o mundo e renascemos para uma nova vida. Permanecemos sob a terra e depois frutificamos.

A Palavra Cereal deriva-se do nome da deusa romana Ceres; cereal, gramínea panificável, cujos grãos farináceos servem de alimento ao homem e aos animais domésticos. Os romanos, durante o culto que prestavam a Ceres, lhe ofertavam as Cereálias Nuberas (Trigo e Cevada) de cada colheita.

Mas, tudo isso é Mitologia. O importante é entender que a P.’.de P.’. do Comp.’.M.’., serve de alerta para que ele compreenda a responsabilidade de seu grau. Somente um coração puro, mente diligente e uma obstinada vontade de servir, transformarão o Comp.’.no fruto imperecível, que servirá de alimento, quando o homem, verdadeiramente “sentir fome”.

Ir.’.Denizart Silveira de Oliveira Filho – M.’.I.’.da A.’.R.’.L.’.M.’.Igualdade Nº 93 GLMERJ – Inspetor Geral da Ordem Grau 33º do R.’.E.’.A.’.A.’. – Membro da Academia Maçônica de Letras, Ciências e Artes do Estado do Rio de Janeiro – Físico Nuclear, Pesquisador da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

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