Na maçonaria operativa, muito antes de toda a tecnologia e toda a gama de opções que possuímos para que todos os nossos ensinamentos possam ser transmitidos, os segredos da Arte Real eram passados de boca a ouvido pelos Mestres aos seus discípulos. Talvez, por tal motivo, a maçonaria fosse muito mais discreta do que hoje, com toda a vasta literatura e matérias que tramitam pela rede.

Não vou aqui questionar se é certo ou errado o atual uso da tecnologia – da forma que hoje é usada – na divulgação, na orientação e transmissão de nossa doutrina. É certo que, ainda hoje, muitos IIr∴ mais tradicionais torcem o nariz para o uso de computador, tendo o cúmulo de se cogitar a feitura das atas de próprio punho, como eram feitas em tempos passados.

Não vamos agora parar no tempo e abrir mão de toda a tecnologia que alcançamos, em nome da nostalgia. Devemos, sim, utilizar dos avanços tecnológicos em prol de uma maçonaria mais progressista e mais culta. Com todo o avanço da internet e dos aparelhos digitais, podemos pesquisar e adquirir melhores conhecimentos, tornando-nos mais atualizados e informados, pois a maçonaria nunca deixou de ser uma instituição formadora de líderes e, como tal, jamais poderá descansar na eterna busca pela verdade.

O fato é que não podemos negar que com toda a facilidade que se possui hoje em dia, aliada à prevaricação de alguns que, por dever, teriam que fiscalizar o que se tem aprendido em nossas oficinas e fora delas surgem cada vez mais mestres com parcos conhecimentos, tanto de simbologia quanto de ritualísticas, que pouco ou nada têm a passar para seus aprendizes.

Amados IIr∴, vamos trabalhar para formarmos cada vez mais grandes Mestres. Mestres com cultura maçônica e bem formados dentro de suas lojas

Há de se ter ouro para se produzir ouro.

É triste e lamentável o que se vê em muitas oficinas que “distribuem” cargos e graus a IIr∴ sem a menor noção do que fazer. Muitas vezes, o aumento do salário vem por uma falsa necessidade da loja ou pelo fato do Ir∴ já ter cumprido o tempo mínimo necessário para galgar um novo grau, sem que se leve em conta se o mesmo já adquiriu toda a aprendizagem que poderia naquele grau. Muitos deles até se vangloriando em ter passado de grau com apenas duas ou menos instruções recebidas em loja.

O que ocorre é que, depois de passar o interstício do Ir∴, os mestres sentem-se muitas vezes sem graça em negar o aumento de salário de algum obreiro e, em nome da “harmonia em loja”, acabam por elevar ou exaltar um membro de loja sem que o mesmo ainda esteja devidamente preparado para tal. E, na esperança de que, com o passar do tempo, este Ir∴ venha a progredir e adquirir os conhecimentos devidos, são criados novos Mestres sem a menor noção do que vem a ser o mestrado maçônico.

O pior de tudo é que o próprio Ir∴ que recebe seu aumento de salário, na maioria das vezes, abandona os estudos dos graus inferiores, passando a dar ênfase ao grau em que se encontra, deixando assim uma irreparável lacuna em seus aprendizados e que, certamente, lhe fará grande falta na hora em que for necessária, de sua parte, a orientação a outros IIr∴.

Independentemente do que regem nossas leis nas diferentes potências reconhecidas, o certo é que, de certa forma, estamos prevaricando na cobrança dos ensinamentos ministrados em loja. Não querendo generalizar, visto que ainda existem muitas oficinas onde prima-se pelo conhecimento do obreiro, o que vemos hoje em dia são muitos Mestres com dúvidas e deficiências recorrendo a sites e colunas de revistas em busca de orientações que, na maioria das vezes, deveriam ser sanadas em suas próprias lojas, mas que, infelizmente, não são encontradas respostas a contento.

Acredito que, se houvesse um pouco mais de rigorosidade nas cobranças das comissões de graus e de parte das dignidades responsáveis pelas instruções em loja, muita coisa poderia ser acertada e sanada. Talvez, quem sabe, até um controle maior das potências na hora de aferir um diploma de Mestre a algum obreiro das lojas vinculadas para certificar-se se o Obreiro, realmente, encontra-se apto para galgar o Mestrado Maçônico, elevaríamos em muito o nível de conhecimentos dos Mestres, que certamente teriam mais firmeza e confiança na instrução de seus Aprendizes.

Decerto que alguns diriam que perderíamos em quantidade, mas posso quase afirmar que se houvesse uma cobrança maior, certamente acarretaria em um maior empenho dos IIr∴ para que fossem exaltados com méritos, pois é da dificuldade que nasce a verdadeira busca pela perfeição.

Temos grandes e numerosos exemplos de IIr∴ com uma sapiência e cultura maçônicas que se diferem dos demais e nos brindam com majestosas obras, que nos direcionam em nosso caminho pela aprendizagem da Arte Real. Acredito que nenhum deles galgou graus ou teve seus méritos reconhecidos sem que usassem grande parte de seu tempo em horas e horas de estudos e pesquisas.

Amados IIr∴, vamos trabalhar para formarmos cada vez mais grandes Mestres. Mestres com cultura maçônica e bem formados dentro de suas lojas. Assim, teremos lojas mais fortes, teremos uma maçonaria mais forte. Mestres bem instruídos na Arte Real com certeza formarão Aprendizes e Companheiros mais preparados e, por conseguinte, mais e mais Mestres preparados.

A maçonaria não é para qualquer um, não é uma igreja aberta a todos que a procuram. A maçonaria é uma instituição iniciática e progressista e, como tal, deve primar pela alta qualidade de seus membros, tanto na escolha, quanto na formação de seus iniciados.

Somente assim poderemos verdadeiramente responder, com toda a certeza, quando formos perguntados: Sois Mestre?

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