Não é novidade a ninguém, que todas as organizações, quer políticas, quer religiosas ou filosóficas, para que se sustentem e varem séculos, há a necessidade de uma vigilância austera e continuada de seus princípios basilares, mas quando digo princípios, não me refiro, portanto, a seus dogmas, portanto, não queiramos tirar a cruz da simbologia Cristã, não queiramos tirar o princípio de mando dos povos numa nação democrática, assim como não queiramos tirar o esquadro e o compasso da simbologia maçônica, pois sabemos que neles é contido toda uma história, que encerra um verdadeiro cabedal de conhecimentos atinentes a cada um destes seguimentos.

A maçonaria de nossos dias está deteriorando, está cedendo ao comodismo e tornando lascivo o uso das alfaias no que elas representam.

Não nos basta o uso puro e simples dos aventais, símbolo do trabalho, para que estejamos a prumo com nossa simbologia já descaracterizada pelo impertinente bordão “usos e costumes de nossa loja”.

Os usos e costumes, secularmente aplicados, não se adaptam mais a nossos letrados dias, em que tudo pode ser registrado e é o que tem permitido, sistematicamente, a formação desta verdadeira babel em que estão envoltas as nossas lojas.

O uso indevido ou mau uso das alfaias tem contribuído em muito para que em lojas irmãs nos sintamos estranhos, ainda que dentro da mesma potência, ainda que sob os auspícios do mesmo rito.

O que nós, maçons de hoje, vamos deixar como legado às futuras gerações se não primarmos com a padronização de nossas alfaias no que dita seus significados?

Há que falar a mesma língua, ainda que tenhamos que renunciar ao fatídico bordão “usos e costumes”, que só cabia na idade média por inexistência do que dispomos hoje, como forma de comunicação. Em assim sendo, estamos fadados ao enfraquecimento, visto que, nas alfaias estão inseridos os mais recônditos ensinamentos maçônicos e como exemplo basilar, o abandono das luvas brancas, quase generalizadas entre nós, como se não fossem elas o símbolo máster da pureza.

Não me atrevo a citar mais exemplos descaracterizadores para não ferir o grau onde um mar de leitores me condenaria por perjuro. Entretanto, me causa preocupação, que insistamos em entrar em templo forçando uma resposta falsa do mestre de cerimônias, dizendo que a loja está composta e todos os Irmãos estão usando as alfaias segundo nossos regulamentos.

Em maçonaria isto não cabe porque hoje recusamos, por comodismo, o uso das alfaias pelo que elas significam e oxalá amanhã não venhamos a faltar com princípios que tão solenemente juramos ao ver a verdadeira luz.

Não existe meio maçom, não existe meia maçonaria, precisamos estar atentos, se é que é verdade que desejamos deixar como legado uma instituição imaculada como a recebemos.

Lanço um desafio dos mais antigos aos mais modernos, quem sabe em prol de uma maçonaria mais autêntica, mais consciente de seus fins, vamos usar as alfaias segundo nossos regulamentos, segundo o que elas nos representam, desprezando os desagregadores e medievais USOS E COSTUMES, tão em voga, mas com certeza responsáveis pela torre de Babel na qual toda maçonaria de nossos dias está envolta.

Deixar resposta

Seu endereço de email não vai ser publicado.