O desenvolvimento da virtude chamada autenticidade é um convite à felicidade real

Percebemos que muitos de nós somos “educados” para:
• agradar aos outros, passando por cima de nossos pensamentos e ideais;
• não falar a verdade para não ferir;
• buscar a aprovação dos outros, mesmo quando temos ciência de que não estamos certos;
• viver de aparências;
• fugir do nosso autoencontro;
• buscar satisfações imediatas, geralmente de cunho materialista;
• viver a cultura de vingança;
• colocarmo-nos como mártires nos relacionamentos interpessoais, buscando agradar à pseudovítimas de si mesmos ou das circunstâncias;
• autoanularmo-nos para evitar conflitos;
• “fazer de conta” que nenhum problema ou desafio está ocorrendo para tentar permanecer numa zona de conformo mental ou inter-relacional;
• agir em desacordo com a consciência para não ter de ser o único (ou fazer parte da minoria) a buscar uma conduta equilibrada em diversos sentidos,
Diferentemente do que fazem a maioria das pessoas na chamada vida mundana.
Todavia, impende notar que é impossível enganar a consciência!

Sofre mais quem se permite os desequilíbrios comportamentais e emocionais deste mundo de ilusões materialistas. Convidada por reflexões ou situações da vida (inclusive doenças físicas) a mudar o modo de viver, geralmente a pessoa reage com atitudes ou respostas agressivas, irônicas ou com “desculpismos”, sem perceber que está agravando sua condição de presa às fantasias prejudiciais a ela mesma, levando-se em conta o distanciamento da espiritualização por meio da oração e da busca de se tornar uma pessoa melhor a cada oportunidade.

Obviamente, ninguém se torna “pedra angular” sem envidar constantes e pacientes esforços da lapidação da “pedra bruta”, tampouco chegaremos à condição de Espíritos puros em meses, anos, nem em um conjunto de existências corporais. Mas é possível fazer bom uso do tempo que a Suprema Inteligência do Universo hoje nos concede para, ouvindo as vozes-alertas que falam em nossas consciências, eleger o caminho do bem, do bom e do belo.

É claro que isso terá um preço: o de se resignar ante a zombaria alheia, ou de ser afastado gradativa ou abruptamente de pessoas e grupos de pessoas que ainda se encontram em estado de consciência de sono, sem interesse em despertar e buscar a vera felicidade.

Ainda assim, importa considerar que, à semelhança do filho pródigo que passou a se alimentar das bolotas jogadas aos porcos, enquanto os empregados de seu pai tinham fartura pelo esforço do trabalho, na conhecida parábola dita por Jesus, um dia cada pessoa cairá em si, nem que seja após a morte do corpo físico, ocasião em que poderá antever as alegrias e a consolação que poderia estar plenamente gozando se tivesse escolhido uma conduta autêntica em todos os sentidos e nos meios em que se movimentava.

Portanto, o desenvolvimento da virtude chamada autenticidade é um convite à felicidade real, ao resgate amoroso dos equívocos de outrora, a plantar o bem e, por conseguinte, ver-se rodeado de seres que de igual modo também querem se empenhar pela construção verdadeira (não hipócrita) de um mundo melhor. E isso deve e pode ser vivenciado em todos os ambientes: na família, no trabalho (mesmo e principalmente no serviço público), no meio acadêmico-estudantil, no grupo religioso, desportista, etc.

Obviamente, ninguém se torna “pedra angular” sem envidar constantes e pacientes esforços da lapidação da “pedra bruta”

É exatamente isso que Jesus nos recomenda: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mateus 5:37). Ou seja, mesmo que desagrademos a outrem, ainda que pessoas ditas amigas se tornem inimigas e que tenhamos que redobrar a vigilância e a oração, vale a pena “sair de cima do muro” e, com autenticidade, seguir a nossa consciência para escolher a porta estreita do verdadeiro amor, mesmo porque quando uma pessoa decide e se esforça para fazer da luz o seu oriente, a ajuda que sempre esteve próxima consegue se fazer muito mais eficaz.

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