Continuemos o estudo dos landmarks selecionados por Albert Galletin Mackey em 1856 iniciado na edição de número 18 desta revista com a sucinta interpretação dos artigos vigésimo primeiro e vigésimo segundo.

VIGÉSIMO 
– PRIMEIRO Artigo

É indispensável no Altar de um Livro da Lei, o livro que conforme a crença se supõe conter a verdade revelada pelo Grande Arquiteto do Universo. Não cuidando a Maçonaria de intervir nas peculariedades de fé religiosa dos seus membros, esses livros podem variar de acordo com os credos. Exige, por isso este Landamarks que um Livro da Lei seja parte indispensável dos utensílios de uma loja.

Anotação do VIGÉSIMO PRIMEIRO ARTIGO

O que desperta atenção, ab initio, deste Landmark textualmente, é que a Maçonaria não é uma religião, nem credo e muito menos seita, mas uma Instituição de caráter filantrópica, filosófica, fraternal, universal, secular e voltada para o Bem da Humanidade, sempre buscando o aperfeiçoamento do Ser Humano tanto do aspecto moral e espiritual, como material, para aproximação com o Grande Arquiteto do Universo.

Seus ensinamentos em qualquer etapa de estudo assim apregoam e corrigem todos que se distanciam de seus ditames na esperança dessa correção seja eficaz.

Seus membros têm liberdade ampla de escolha de qualquer religião, seita ou crença, desde que acreditem na existência do Grande Arquiteto do Universo e na vida post mortem, além de possuírem os requisitos sociais como vimos nos comentários do artigo décimo nono destes Landmarks.

A exigência do chamado “Livro da Lei” no Altar, não especificando qual livro, demonstra, inequivocamente, que pode ser qualquer um, desde que a crença de seu conteúdo seja a “verdade revelada pelo Grande Arquiteto do Universo.”

Pode ser a Bíblia, composta pelo Antigo Testamento e Novo Testamento (judeus e cristãos), o Alcorão (islamismo), livros sagrados das diversas religiões do Oriente, mas que sejam tidos sempre como instrumentos da Palavra do Ser Supremo do Universo que na Maçonaria é o Grande Arquiteto do Universo.

É de se notar que este Landmark usa a expressão “se supõe” referindo-se a mensagem do Criador, demonstrando o respeito a outros livros considerados sagrados por culturas diversas, que podem divergir, mas para seu adepto é a “verdade revelada pelo Grande Arquiteto do Universo” do aspecto subjetivo.

Para a Maçonaria basta simplesmente que o iniciado acredite no Grande Arquiteto do Universo e na vida espiritual eterna, pouco importando qual seja seu “Livro da Lei”. Este “Livro da Lei”, é apenas um meio de cultuar o Grande Arquiteto do Universo e a vida espiritual de caráter eterno, renovando e fortalecendo sua Fé nesses postulados e princípios maçônicos.

VIGÉSIMO
– SEGUNDO Artigo

Todos os maçons são absolutamente “iguais”, sem distinções de prerrogativas profanas, de privilégios que a sociedade confere. A maçonaria a todos nivela nas reuniões maçônicas.

Anotação do Vigésimo SEGUNDO Artigo

O texto legal menciona o vocábulo “ iguais “, porém o verdadeiro sentido é “ semelhança “ para o tratamento operar-se de maneira uniforme para todos, guardadas as diferenças pessoais especialmente a hierárquica.

E não poderia ser diferente.

A Maçonaria possui sua própria Hierarquia e um aprendiz tem seu assento no lugar próprio nas sessões, enquanto outro obreiro de grau mais avançado possui mais liberdade de escolher dentro de sua limitação posição diferenciada.

O que este Landmark quer dizer na verdade, é que os títulos de nobreza, honraria, cargo ou função, além de outras situações que são muitas, adquiridos no mundo profano, são desconsiderados no Templo para ensejar esse nivelamento de direitos e obrigações entre os irmãos.

Mas persistem a hierarquia e a boa educação social para o uso em qualquer lugar e em qualquer momento de uma pessoa civilizada. Não devemos esquecer que vivemos em sociedade e o trato respeitoso com o semelhante constitui uma obrigação de convivência embora possa haver divergências.

O nivelamento referido por este Landmark é, pois, relativo e deve ser interpretado dentro de critérios de urbanidade e fraternidade.

Ninguém vai à sessão para combate, mas para fortalecer seus bons princípios maçônicos e ampliar essa fraternidade institucional que é o alicerce de toda doutrina da Sublime Ordem.

Este é o verdadeiro significado das expressões “igualdade” e “nivelamento”.

Continua no próximo número.

Sobre o Autor

ARLS Fraternidade Judiciária n° 3614 GOB/SP Oriente de São Paulo

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