Livro do Êxodo, capítulo XXX, vv. 1 a 10
V1 – “Farás também um Altar para queimar nele incenso; de madeira de acácia o farás.
V2 – Terá um côvado de comprimento e um côvado de largura, será quadrado, 
de dois côvados de alto; os chifres formarão uma só peça com ele.
V3 – De ouro puro o cobrirás, a parte superior, as paredes ao redor e os chifres; 
e lhe farás uma bordadura de ouro ao redor.
V4 – Também lhe farás duas argolas de ouro debaixo da bordadura, 
de ambos os lados as farás; nelas se meterão os varais para se levantar o altar.
V5 – De madeira de acácia farás os varais e os cobrirás de ouro.
V6 – Porás o altar diante do véu que está diante do propiciatório, 
que está sobre o Testemunho, onde me avistarei contigo.
V7 – Arão queimará sobre ele o incenso aromático; cada manhã, 
quando preparar as lâmpadas, o queimará.
V8 – Quando o crepúsculo da tarde acender as lâmpadas, o queimará; 
será incenso contínuo perante o Senhor pelas vossas gerações.
V9 – Não ofereceis sobre ele incenso estranho, nem holocaustos, 
nem ofertas de manjares; nem tão pouco derramarei libações sobre ele.
V10 – Uma vez no ano Arão fará expiação sobre os chifres do altar com 
o sangue da oferta pelo pecado; uma vez por ano fará expiação sobre ele pelas vossas gerações.”

1. Introdução
O objetivo deste trabalho é uma explanação a respeito do altar dos perfumes como quesito da dinâmica entre Irmãos do Grau 4, Mestre Secreto da Loja de Perfeição. Para uma melhor explanação filosófica, iremos além, explorando mais a fundo os perfumes, sua composição sua utilização, sua simbologia entre várias correntes de pensamento e contextos históricos.

2. Os Perfumes
Segundo Nicola Aslan (Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, Editora Maçônica “A Trolha” Ltda., 3 edição, Londrina, 2012), o uso dos perfumes data da mais remota antiguidade, tendo sido os Egípcios a se servirem deles para o serviço do culto religioso. Entre os hebreus, segundo A. Van Den Born, (Dicionário Enciclopédico da Bíblia, Editora Vozes Ltda., Petrópolis, 1971), “O sacrifício de Perfumes que devia ser oferecido ao altar do incenso (Êx XXX, 34-48) consistia em incenso, ao qual se acrescentava: Nataf (estoraque), S’helet (onicha) e Helb’nah (gálbano); também sal, para facilitar a combustão; nenhum outro perfume podia ter a mesma composição sob pena de morte. Os romanos consideravam não só como uma homenagem aos deuses, mas também como uma atração para a presença dos imortais. Os cristãos relutaram em empregá-lo na Liturgia, por ser uma característica do culto pagão e porque os romanos obrigavam os cristãos a renunciarem a sua fé, lançando incenso sobre os carvões acesos em homenagem aos deuses. Aceitaram, entretanto, o costume no século IV.
O Ritual Maçônico prescreve o uso de perfumes como indispensável em muitos Graus. Seguindo a tradição dos povos antigos, que os empregavam para o culto religioso, a Arte Real usa os perfumes, isto é, o incenso, nos atos solenes.

3. O Incenso
O Incenso, segundo Nicola Aslan (Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, Editora Maçônica “A Trolha” Ltda., 3ª edição, Londrina, 2012), era utilizado por todos os povos da antiguidade como parte do culto a divindade. Assim faziam os Egípcios, os Hebreus, e os Hindus, mas os Persas o queimavam também perante o Rei. O incenso e sua fumaça têm, indubitavelmente, uma ação anti-séptica, conforme comentado por Jules Boucher (La Symbolique Maçonnique, Dervy, Paris, 1953), mas exercem também uma ação psíquica, visto que proporciona um estado da alma, propício a elevação espiritual, em acordo com os Princípios Herméticos – Princípio do Mentalismo, Princípio de Vibração, e Princípio da Causa e Efeito, três dos sete princípios, transmitidos pelos ensinamentos de Hermes Trismegisto, conhecido pelos Egípcios como o “Três Vezes Grande”, “O Mestre dos Mestres” mentor de Abraão na Filosofia Hermética (Três iniciados, O Cabailion – Estudo da Filosofia Hermética do Antigo Egito e da Grécia, Editora Pensamento, São Paulo, 1982).

As velas e as fumigações são coadjuvantes das cerimônias Maçônicas, as quais se prestam o caráter sagrado que deve reinar dentro dos Templos, entretanto, ele é mais utilizado nos Altos Graus. Segundo Mackey, o incenso é o símbolo da prece, conforme se diz constantemente no Antigo Egito e no Novo Testamento tendo na Maçonaria o significado semelhante.
O turíbulo foi adotado como um símbolo do Terceiro Grau, representando dessa forma, as preces e as aspirações de um coração puro que se elevam como o incenso no turíbulo, como um sacrifício aceitável a divindade. Finalmente, o incenso é o símbolo da purificação.

Na Igreja, o incenso que se emprega é uma mistura de resinas, mistura na qual, às vezes, não entra se quer um grão de incenso puro. Normalmente é feito com mirra, bálsamo ou mirto. A palavra designa “tudo o que queima”, sem indicar qualquer material em particular. O verdadeiro incenso é o Olínbano (Oleum Libani) ou óleo de Líbano. Segundo José Castellani e Xico Trolha (O Mestre secreto – Grau 4, Editora Maçônica “A Trolha” Ltda., 3ª edição, Londrina, 2002), o incenso é uma goma-resina extraída de um arbusto (Juniperus Thurifera) e embora tenha diversas aplicações medicinais, é mais conhecido como a substância purificadora do ambiente dos Templos.

Outra substância utilizada na mistura é o bálsamo, que é uma resina aromática de algumas plantas e que tem grande aplicação medicinal, por suas qualidades analgésicas. Simboliza o odor agradável da virtude e da pureza. O mirto ou murta é uma árvore sempre muito verde e é encontrada geralmente em regiões altas. Suas flores e seus frutos quando secos se prestavam a fabricação dos perfumes e condimentos.

A mirra é uma substância aromática, líquida ou sólida, obtida da resina de um arbusto da Arábia (Myrrha Commyphora) e embora tenha pouca aplicação medicinal, foi sempre muito utilizada pelo seu odor agradável, como perfume e nos unguentos usados para embalsamar corpos humanos. Cita Rizzardo da Camino (Dicionário Maçônico, 1ª Edição, Editora Madras, São Paulo, 2004) que os Três Reis Magos levaram ao menino Jesus, como presente, uma porção de incenso (Mirra). O maior produtor destes perfumes na forma de resina, ou de flores secas, no mundo antigo, era o reino de Sabá, situado no sudoeste da Arábia, que enviava a mistura das resinas para a Babilônia, Egito, Assíria, Pérsia, Média, Israel e Grécia arcaica continental.
Para as fumigações Maçônicas, segundo Jules Boucher, preconiza uma mistura de três partes de Olíbano, duas de Mirra e uma de Benjuim, que tem um odor bastante agradável e que em sua opinião, simboliza os Três Mundos, Divino, Humano e Material acrescentando:

“As velas e as fumegações são em nossa opinião, o coadjuvante indispensável das cerimônias Maçônicas, as quais dão aquela nota “Sagrada” que deve reinar em nossos Templos Maçônicos. Dizemos bem um “coadjuvante”, pois é evidente que não modificam os ritos fundamentais da Ordem Maçônica” Em magia, o incenso é empregado para afastar as entidades nefastas que afeiçoam os maus odores, novamente utilizando o Princípio da Causa e Efeito e o da Vibração ensinados por Hermes Trismegisto.”

4. A adoção Mágico-Religiosa 
do Incenso
A adoção mágico-religiosa do incenso é apenas uma extensão lógica de seu uso pessoal pelo homem. A religião primitiva originou-se da Magia, que é a crença em poderes sobrenaturais que transcendem este mundo ou lhe são imanentes e causam todos os tipos de fenômenos inexplicáveis e, muitas vezes, incontroláveis. O homem é de tal forma constituído, que teme estes fenômenos ou os reverencia, divinizando-os. Quando ele atribui fenômenos naturais a deuses, sua magia está se transformando em religião, pois esta compreende o sacerdotismo, os meios e recursos destinados a aproximação com os deuses e sua súplica para sua intervenção e assistência.

A religião nunca se divorciou totalmente da magia, embora esta esteja subordinada a religião mais adiantada ou superior. Assim sendo, se os aromas e as fragrâncias eram suaves ao homem, acreditava-se serem muito bem recebidas pelos deuses também. Inversamente, se o homem achava certos aromas desagradáveis, os deuses ou os seres sobrenaturais também o achariam.
Este raciocínio é corroborado por fatos históricos, na verdade, prática e costumes conhecidos. Nos banquetes cerimoniais, realizados pelos povos tribais primitivos, as mesas ou o solo e o caminho que seria percorrido pela procissão religiosa eram coberto por flores. Fumaças untuosas eram agradáveis aos deuses; por isso eram sempre mantidas vivas por fogueiras que as produziam.

Além disso, como os mortos iriam entrar no mundo dos deuses, parecia conveniente adorná-los com flores e untá-los com óleos aromáticos para que fossem favoravelmente recebidos. É de se notar que, em todas as religiões primitivas, estabelece-se um paralelo entre Deus e o homem. Isto não é tão somente antropomorfismo (semelhança física do homem), mas também uma similaridade de desejos, hábitos e costumes do homem, atribuída aos deuses. Na verdade, os deuses não só apreciavam os odores agradáveis, como também possuíam.

Em um dos antigos textos egípcios, declara-se que a deusa Ísis tinha um perfume muito agradável que ocasionalmente poderia ser transferido para outrem. Se os homens procuravam criar ou viver em ambiente perfumado, cercando-se de relvas e arbustos aromáticos, então os deuses, do mesmo modo, deveriam criar um “habitat” perfumado. As religiões em sua maioria, são paradisíacas; isto é, tem seu Céu, seus Campos Elísios, seu Valhalla ou seu Nirvana. Essas religiões são pródigas na sedução que exercem, através das coisas que agradam aos sentidos humanos; por isso, em lápides cristãs medievais foram encontradas inscrições exaltando os aromas celestiais de que os mortos iriam desfrutar.

Constituía também a prática cristã primitiva untar o corpo do morto com óleo aromático para repelir demônios que, segundo se pensava, só se deleitavam com odores repugnantes. Há uma antiga referência ao uso de substâncias aromáticas, encontra-se em uma inscrição da 11ª Dinastia Egípcia, quando o rei Sankhkara enviou uma expedição para conseguí-las, através do deserto para o Mar Vermelho e a região de Punt (hoje conhecida como Etiópia), que já foi um Estado conquistado pelo Egito.
No Egito antigo, o corpo do falecido era preparado com o uso de incenso nos ritos funerários. Na verdade, olíbano e ervas aromáticas eram colocadas durante o processo de mumificação, nas cavidades do corpo resultantes da remoção de órgãos.
No Museu Egípcio e Oriental Rosacruz, por exemplo, uma grande pintura a óleo feita por H. Spencer Lewis, está pendurada na câmara funerária (isot é a sala que contém a exposição das múmias) e representa a preparação dos corpos para o embalsamamento. Mostra um dos auxiliares segurando o incensário em forma de taça, de onde se eleva a fumaça que impregna o linho em que o corpo está sendo enfaixado.

Na Índia, os adeptos da seita de Shiva, queimam sândalo diante da pedra que representa o seu deus. No Budismo, a oferenda de incenso é um dos sete passos do culto, que também incluí a oferenda de flores. Em certos mosteiros tibetanos, especialmente naqueles em que são praticadas formas deturpadas de budismo, é queimado incenso continuamente, ou é ele trazido sempre com a pessoa por se acreditar que é temido pelos maus espíritos. Portanto, o incenso é um dos componentes da caixa de amuletos dos sacerdotes tibetanos.

O uso de incenso pelos semitas foi muito difundido. Seu nome entre os babilônios era Kutrinnu. Era feito de madeira odorífera como cipreste, murta, cedro, além de ervas. Sua preparação e seu uso são mencionados no Velho Testamento. Heródoto, antigo historiador grego, informou que mil talentos de olíbano eram oferecidos no grande altar do Templo de Bel, dos Babilônios, em cada festa anual.

5. A adoção Mística do Incenso
A transição deste uso mágico-religioso do incenso para a sua aplicação mística não foi súbita. Na verdade, há referências desta última aplicação como contemporânea das mais antigas práticas mágicas. No Egito Antigo, entre algumas escolas de Mistério, dizia-se que o incenso tinha estranhas propriedades físicas, manifestando, cada ingrediente, propriedades diferentes que produziam diversos efeitos sobre os seres humanos.

Acreditava-se também que a fumaça levava para o alto as palavras de prece do homem, oferecidas às almas do além. Dizia-se que o deus Rá atraía a alma do falecido para o alto na fumaça do incenso. Mesmo hoje em dia em muitos rituais, a fumaça do incenso tem o seu sentido místico de uma oferenda a Deus, em sua ascensão para o alto. Os Malaios queimavam incenso como uma oferenda, em santuários e túmulos de santos, e isto eram acompanhados de invocações ao espírito do incenso.
Há séculos os místicos perceberam que a inalação de certas substâncias combustíveis inofensivas, especialmente quando aromáticas, afetava (ou melhor, estimulava e acelerava) as funções das glândulas psíquicas. Por glândulas psíquicas, entendemos aquelas que regulam o fluxo das forças psíquicas do Cósmico, através do sistema nervoso.

Além disso, certos aromas exercem-nos um efeito psicológico: podem nos alegrar, fazer-nos felizes ou deprimir-nos, ou ainda, nos tornarmos melancólicos e até irritar-nos. Não devemos pensar em função disto que o incenso era utilizado como droga ou narcótico. Os místicos e os alquimistas fizeram um cuidadoso estudo sobre as substâncias aromáticas e seus efeitos sobre o temperamento e os estado de humor; elas nos afetam da mesma maneira como a música e os sons de modo geral nos afetam emocionalmente. Os filósofos antigos sempre nutriram a necessidade de colocar em harmonia, uns com os outros, todos os sentidos do homem (pelo menos os físicos). Para eles, a harmonia física ideal existiria quando algo fosse igual e simultaneamente agradável para todos os sentidos.

Sabe-se que, quando isso ocorresse, o êxtase resultante facilitaria a harmonização com as forças naturais existentes no homem e ao seu redor. É a sedução das coisas físicas que mantém a alma do homem presa a terra, teria dito Sócrates, em seus diálogos segundo Platão.O órgão das cores, um dos maiores dos últimos tempos, construído por H. Spencer Lewis, representou uma das várias tentativas de coordenação dos sentidos da visão e da audição, por meio de cores e sons harmoniosos.
Certas substâncias aromáticas, quando delicadas em sua fragrância, que relaxam e aparentemente repousam o corpo, liberam os poderes psíquicos. Ajudam a meditar e nos proporciona maior energia para enfrentar os problemas do dia a dia. Nas igrejas, como sabemos por experiência, parece nos harmonizar com o ambiente, sua tranquilidade, bela música e a solenidade da ocasião.

Os Rosacruzes também consideram a fumaça do incenso em sua ascensão como um símbolo, e tão somente um símbolo de uma essência espiritual existente no interior do homem, estendendo-se como um Cordão de Prata e ligando-o ao Cósmico. É bem verdade que a harmonização Cósmica não depende do uso de incenso nem de qualquer outro recurso material. Para apreciarmos o reino espiritual e nos servirmos de nossa ligação com o mesmo, não necessitamos de coisas belas. Talvez obtivéssemos igual sucesso sem música, simetria de formas, belas artes e arquitetura, ou qualquer influência estética, porém o caminho seria mais árduo e desencorajador.

Posto que o incenso, como a música, provou o seu valor no que tange ao nosso Eu psíquico, e nossas funções psíquicas, porque não continuar a usá-lo a despeito dos ritos primitivos, irracionais que tenham sido praticados com o incenso, por mentes primitivas de séculos passados? Os mais gloriosos costumes tiveram grosseiros começos.A fumegação também é citada nos texto de Filosofia Oculta. Henrich Cornelius Agrippa fûr Nettesheim (Três livro de Filosofia Oculta, compilação e comentários de Donald Tyson, São Paulo, Editora Madras, 2012) em seu Livro I, dedica alguns capítulos a utilização de Perfumes, ou sufumegações, seu modo de agir e seu poder. Reprodução de um trecho:

“Algumas sufumegações, ou perfumes que são próprios dos astros, também são de grande força para o recebimento oportuno de dons celestiais sob os raios das estrelas operando sob o Ar e a respiração. Pois nossa respiração é bastante alterada por estes tipos de vapores, se ambos os vapores forem de outra espécie: o Ar sendo facilmente impelido pelos referidos vapores, ou afetado com as qualidades de inferiores, ou celestiais, todos os dias, e logo penetrando em nosso peito e nossas entranhas, reduz-nos maravilhosamente a semelhantes qualidades. Tais sufumegações devem ser usadas por aqueles que fazem previsões, pois lhes afeta a imaginação que, apropriada para essa ou aquela divindade, nos prepara para receber inspiração divina. Por isso, dizem que a fumaça produzida pela linhaça e fleabane e raízes de violeta e salsa permitem a uma pessoa prever eventos futuros e conduzem a profecia.”

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