O tema “Disciplina e o Comportamento do Maçom” está relacionado aos princípios de nossa Sublime Ordem que propaga ser uma escola formadora de líderes. Como sabemos, o exercício da liderança representa um ônus elevado, pois, além da responsabilidade inerente, o comportamento é fundamental pelo exemplo que sua imagem passa aos seus seguidores.

Ao ingressarmos em nossa instituição, juramos respeito aos seus estatutos, regulamentos e acatamento às resoluções da maioria, tomadas de acordo com os princípios que a regem, bem como, o amor à Pátria, crença no G∴A∴D∴U∴, respeito aos governos legalmente constituídos e acatamento às leis do nosso país.

Por esta razão, espera-se que o maçom reitere seu juramento com sua presença nas reuniões maçônicas e se dedique de corpo e alma, à prática da moral, da igualdade, da solidariedade humana e da justiça, em toda a sua plenitude.

Ter disciplina moral é direcionar as ações desenvolvidas para um objetivo definido, claro e positivo. As ações relacionadas com o comportamento e a vontade de aprimorar-se interiormente alavancam ao desenvolvimento racional da Disciplina Moral, que não deve ser vista como um mero e fantasioso catálogo de proibições, ela não é negativista, mas procura construir e orientar o homem na busca e edificação de seu próprio caminho, visando a realização da felicidade plena.

Desprezar os conceitos da Disciplina Moral é uma tentativa de racionalizar a decadência ou a degradação do ser humano.

O componente intelectual da Disciplina Moral começa a surgir e se desenvolver a partir do momento em que o ser humano passa a se valorizar dentro do grupo social em que vive, buscando cultivar bons hábitos, respeitar os usos e costumes, valorizando as tradições da comunidade, as quais são conhecidas como herança social, valores estes responsáveis pela integração e aprestamento social.

Outro componente da Disciplina como elemento formador da Personalidade do ser humano é a disciplina intelectual. Ela nada mais é do que a valorização da educação do indivíduo na sociedade em que ele vive, não é uma valoração que possa ser mensurada, mas deve ser dirigida a um fim específico, o de procurar o aprimoramento pessoal e aprimorar-se sem, no entanto, atirar-se contra os que o rodeiam.

Em todo trabalho maçônico existem dois significados: o aparente e o de sentido profundo, verdadeiro. Compreendendo o cerimonial, o Maçom descobrirá que sua mente se une ao seu coração, fazendo-o elevar-se a um mundo de paz, de luz, de harmonia, sabedoria, força e beleza. Por isso, é imprescindível que ele assimile o simbolismo da ritualística, não lhe sendo lícito acomodar-se e tolerar, sem compreender, o sentido profundo daquilo que fala e lê. O maçom não pode e não deve repetir o que ouve por simples rotina, posto que a ritualística maçônica é a observação religiosa e consciente para estudo e meditação.

O Maçom precisa desbastar a pedra bruta, modelar e polir o material

Todo ritual é um meio de atrair forças para o mundo, e o homem que o realiza é um agente comunicante de tais energias, por demais úteis para e das quais a humanidade tanto necessita. Assim, tão logo as portas da Maçonaria se abram para o Iniciado, tem este de assumir os deveres e as responsabilidades que nela veio buscar: deve procurar entender e ser entendido, falar e tolerar que lhe falem, a tudo ouvindo com perspicácia e atenção, ensinar e aprender, ajudar e deixar que lhe ajudem, pedir tolerância e ser condescendente, aceitar e procurar ser aceito, requerer e dar atenção aos outros, comungar com aqueles a quem chama de Irmãos e procurar ser realmente um deles.

É necessário que o Maçom, qualquer que seja o seu grau, tenha um comportamento modelar, dentro ou fora do Templo, com a Loja aberta ou fechada, no recinto maçônico ou nos profanos. É preciso que o iniciado na sagrada arte ajude a manter o silêncio e o respeito na Sala dos Passos Perdidos; a postura adequada na formação da procissão; a atenção plena e consciente aos hinos cantados; a consciência plena do significado da luz; a ajuda espiritual plena à abertura da Loja e sua cobertura; a prática correta dos sinais, toques e palavras; a atenção à ordem dos trabalhos; o conhecimento pleno dos instrumentos de trabalho e do painel do grau, com todo o coração e fervor; a cerimônia do encerramento, mantendo-se em atitude respeitosa e compatível com o ambiente maçônico até se retirar para o mundo profano.

Por outro lado, deverá ele trajar-se adequadamente com a vestimenta própria e portar seu avental de forma adequada. Deverá, ainda, se a tiver, trazer sua joia com fidalguia e respeito. A postura, se em pé, ereta e, se sentada, como uma verdadeira figura egípcia da antiguidade. Ao esquadrar a Loja ou ao permanecer de pé ou à ordem, estará com os pés corretamente posicionados. Ao pedir a palavra, deverá fazê-lo no momento propício, observando o ritual. Ao ser chamado, levantar-se-á imediatamente e colocar-se-á à ordem e assim permanecerá até que receba contraordem ou termine sua fala, quando voltará a sentar-se, se for o caso.

O Maçom sabe que, logo após o toque da campainha, já está sendo construído o Templo, a Egrégora e o silêncio se faz necessário para a grandiosidade do momento que está preste a iniciar-se. É preciso manter a calma, harmonizar as mentes e entregar as forças à Magna Obra que se fará pelo bem da humanidade. Do interior do Templo deve fluir uma verdadeira e inesgotável fonte de Luz, pois os Maçons atuais, em seu recolhimento cerimonial em Loja, procedem no papel de operários da reconstrução moral do
gênero humano.

Vigiando e orando, não lhe será muito difícil vencer os obstáculos, nem demasiadamente penoso seguir as exigências do nosso trabalho. Conseguirá o Iniciado, com o tempo, as mais extraordinárias transformações dentro de si próprio e em seu espírito, evoluindo-se e tornando-se esclarecido. Não deixando bruxulear a chama da esperança e sendo ativo e paciente, logo, logo, tornar-se-á um verdadeiro obreiro da fraternidade, estendendo e espalhando a igualdade e dominando a liberdade.

O nosso Templo representa o Universo, que é o Templo de Deus. A Loja representa a superfície da Terra, com seus pontos cardeais, com fogo, terra e água aos nossos pés e ar sobre nossas cabeças: no teto, um céu estrelado, símbolo do mundo imaterial. O Universo não tem limites. Dentro do Universo está o homem. A Loja é, também, a representação do corpo do homem, interna e externamente.

O Maçom precisa desbastar a pedra bruta, modelar e polir o material de modo a alcançar a beleza e elegância do edifício que se constrói, conservar os sentidos desobstruídos, respeitar a humanidade, usando a régua e o compasso, apreciar a beleza das formas, sua modelagem e detalhamento, a magia das cores combinadas, a integração dos sons em harmonia, a poesia de todas as artes no reino da imaginação, a expressão em números e causalidades, o simbolismo das ideias corporificadas na forma, a história da evolução do indivíduo e a integração dos seres individualmente em sociedade. Assim, poderá entender os sábios, amar os artistas, admirar os cientistas, apreciar os inventores e compreender os legisladores, pois, são todos eles verdadeiros benfeitores da humanidade.

Para o êxito pleno desse intento, o Iniciado necessita ter, entre outras coisas, o domínio pleno das instruções que lhe são ministradas, bem assim, postura exemplar ante a invocação das lições imortalizadas pelos seus antepassados que as fizeram furar os séculos, sempre trabalhando pelo bem da humanidade, praticando a virtude e a solidariedade. O Templo simbólico é construído nos corações de todos os verdadeiros maçons para servir de moradia ao G∴A∴D∴U∴, de onde devem ser expulsas as paixões, as intransigências, os vícios e os pensamentos ruins. O Ritual deve ser estritamente observado pelo Iniciado e o seu comportamento há de ser irrepreensível, dentro e fora do Templo, com a assunção de deveres e responsabilidades. Só assim poderemos passar – corretamente – para nossos descendentes, de boca a ouvido, as maravilhosas lições deixadas por nossos antepassados Iniciados.

O ponto de apoio Universal e a alavanca que se pode firmar para uma mudança radical no comportamento e nos costumes sociais da humanidade é, sem dúvida, a Disciplina, matéria cultuada desde a mais remota antiguidade e que não deve ser vista como um mero vocábulo de dicionário.

Concluo que, a Disciplina deve ser vista como a integração dos estados emocionais e espirituais que possam levar o homem a se reestruturar no decorrer de sua existência. Ela pode ser sentida e enunciada como sendo o somatório de comportamentos morais, intelectuais, sociais, físicos e religiosos moldados dentro da lei natural do aprimoramento interior.

Não devemos ver a Disciplina apenas como uma norma de conduta a ser seguida ou perseguida; ela representa muito mais, é a aplicação de toda a filosofia que rege a vida – somos aquilo que somos e não aquilo que querem que sejamos – o ser ou não ser – resume a filosofia do homem. O conceito de Disciplina abrange vários campos do comportamento humano que devem ser entendidos e compreendidos, perfeitamente, para que seus diversos fundamentos sejam aplicados com eficácia e eficiência.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Castellani, José – O Rito Escocês Antigo e Aceito – História, Doutrina e Prática — Ed.: A Trolha – Londrina – 1ª. edição: 1988 – 2ª. edição: 1996.

Castellani, José – Liturgia e Ritualística do Grau de Aprendiz Maçom – Editora Gazeta Maçônica – S. Paulo – 1ª Ed.: 1985 – 2ª Ed.: 1987.
Da Camino, Rizzardo – Breviário Maçônico – Editora Madras.
Da Camino, Rizzardo – Dicionário Maçônico – São Paulo – Editora Madras – Ed.: 2006.

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