Comenta-se que o mundo está um caos. Aliás, não se comenta. Constata-se. Sofre-se a consequência do caos em que o mundo se encontra. E não é o mundo dos outros. É o nosso mundo. O nosso derredor. De todos os lados vêm os gritos. Ouvem-se os clamores que nos chegam de todos os lados. Uma ilha cercada por um mar de infernizações. Mais ainda: uma ilha com vulcões em erupção. Será que o Dante, no Inferno da Divina Comédia, não estaria antecipando a visão do caos de nossos tempos? Se isto era, “perdei a esperança”, como ele mesmo escreveu. Melhor, meu Deus, que não tenha sido… “Senhor, afasta de nós” esse CAOS.

Propugnamos pela ordem. Nosso penhor será sempre no sentido de que haja um mínimo de bem-estar. Um bom ordenamento das circunstâncias. Um meio menos sofrido de sobrevivência. Uma deferência à dignidade de vida do ser humano. A organização das coisas, do meio ambiente e das possibilidades de modo que o homem seja, como aspirava o poeta, “sempre a melhor medida”. E mais: “que esta medida não seja a morte. Seja a vida”. Foi assim que o Criador dispôs: toda a natureza a serviço do ser humano. E o próprio homem um cooperador de seu próximo, de modo que todos, formando como que uma cadeia de união, fossem “um só”. E não, como reparou Thomas Hobbes, “o homem sendo o lobo do homem”.

Com muita propriedade foi que Robert Heilbroner, escrevendo o livro “Perspectivas do Homem”, perguntou assim: “Ainda haverá esperança para o homem?” A pergunta veio diante de um quadro pintado com menos tinta que o acima exposto. Valeu o grito, Heilbroner! Mais um grito vindo dos aceiros da ilha. Valeu para acender a luz, amarela, digamos assim. Porque sempre haverá condições e disposição para se dar um break na “descontinuidade” a que se reporta Peter Drucker em seu livro “Uma era de…”. Deus nos ajudará, para que não cheguemos à vermelha luz! Mas como restabelecer o progresso continuado? Como entender, de conformidade com a pregação de Paulo VI, de que “O desenvolvimento” é necessário e urgente ao usufruto do homem, mas que sem “a paz” ele não será um bem possível?

A maçonaria refere-se, numa de suas sábias instruções, à expressão ORDO AB CHAO. Entendo que era para ninguém desesperar. Porquanto do caos pode-se muito bem retirar a ordem. Refiro-me à Maçonaria, em virtude do conhecimento que tenho a seu respeito e da valiosa contribuição que ela tem prestado, ao longo de sua história, para o progresso da humanidade e a melhoria dos seus costumes. Dizia meu professor de Teoria Geral da Administração que “a diferença entre um paiol de cinzas e o corpo humano é a organização.” Pois é, se não existe o caos, como se organiza alguma coisa? Se não existisse a “pedra bruta”, ir-se-ia “polir” o quê? Reparando-se, por aí, tem que haver um caos (mínimo!).

Mas o danado é que o caos está por toda parte. Não é no mínimo. É no máximo. É como ocorre com o corpo, quando o coração para. Todavia, quando isto acontece, que fazem os socorristas? Dão-lhe um choque. Um choque danado de grande. Aí, sob o impacto, o coração volta a pulsar direitinho, e o corpo então se reanima. O caos terá que levar um choque “igual e contrário”, senão ele não toma jeito de ordem, e o homem, a persistir tal “descontinuidade”, retornará àquele estado de “paiol de cinzas.” Se realmente há o desejo e a determinação de se reduzir, se não for possível abolir o caos, restabelecendo-se o “progresso”, é seguir a trilha do “lindo pendão da esperança”: antes a ORDEM.

Mas esse choque não nos será presenteado pelos anjos ou como o “maná”, vindo dos céus. Nossos méritos, avalio que não são tão garbosos assim, para merecermos tamanho prêmio! O choque terá que vir de nossos laboratórios. Daqui mesmo! O choque é uma consequência da força desferida. Não é uma forcinha, não, requer força, muita força. Força de muitos e muitos socorristas. Pois se trata de combater uma epidemia de muitos males ao mesmo tempo. E não vai ser possível debelar tantos males com poucos militantes. Há uma crença da sociedade, mais que isto, um chamamento de urgência, de que os “justos e perfeitos” seriam os combatentes de elite. Os leitores sabem quem são “os justos e perfeitos”: aqueles homens “livres e de bons costumes”. Mas acontece que eles são, hoje, “um d de dx” numa cruzada de tanto peso e de tantos precipícios e armadilhas como esta. Conta-se com 1 em cada 1.000 brasileiros. Partir para a luta, com esta desproporcionalidade, é assumir a função de Sancho Pança no enfrentamento com os moinhos de vento! Para o choque surtir efeito, e é urgente que isto aconteça, torna-se necessária aquela grande força que resultará da conjunção de muitos e muitos. É preciso convocar e preparar muito mais combatentes, imediatamente. Pois “uma andorinha só não faz verão”. E se persistirem nisto, todos, em breve, verão que realmente uma andorinha só não faz.

Já existe a consciência de que os males cresceram. De que o tecido político brasileiro se esgarça, a olhos vistos, mais e mais e a cada instante, tornando-se iminente a aplicação de um poderoso antídoto para a cura. E que o medicamento inicial é o choque. A fraternidade e o amor fraternal – a união de todos e o envolvimento dos mesmos com a solução dos problemas – serão os ingredientes. Os homens “livres e de bons costumes” estão convocados, como sempre estiveram, mas com o atual contingente disponível, mudar-se-á quase nada. Contudo não desanimemos, pois, quando são poucos os disponíveis, embora muitos sejam os necessários, a solução é pedir ao Senhor para que ele inspire o ingresso de mais operários na messe…Grande Arquiteto do Universo, ouve a nossa prece!

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