A vingança é um prato que é servido frio. Quem escreveu isso nunca será um Homem Maçom de Verdade.

“A vingança é um prato que é servido frio. Quem escreveu isso nunca será um Homem Maçom de Verdade. A vingança é um prato que não deve ser servido, frio e nem quente, pois ela é degustada com infelicidade e desprezo. Entretanto, nem sempre agimos de forma altaneira. Quando nos vemos vilipendiados, injustiçados, engrupidos, passados para trás, enganados ou qualquer outra coisa mais, temos que dar o troco, nos vingar, mostrar que não somos trouxas, ensinar uma lição, fazer ver, em uma linguagem popular, com quantos paus se faz uma canoa. Assim foi e assim será. Será?”

Em mais uma de suas esclarecedoras lições, trazidas ao nosso conhecimento através do avançamento aos graus da Maçonaria, nos é instruído sobre  diversos comportamentos morais, o qual faço destaque neste artigo sobre a ação maléfica da vingança sobre nosso vaso físico, com repercussão no espírito imortal que somos.

Quando algo perturbador acontece, gerando sofrimento a um indivíduo, a sua imaturidade moral se sente ameaçada por algo muito forte, de modo que, mesmo raciocinando conscientemente, não consegue se desvincular das manifestações desconhecidas que traz armazenadas em seu inconsciente, a lhe exigir reparação, desforra, e até mesmo a aniquilação do seu opositor.

Inicia-se então neste instante, uma acirrada disputa entre o seu lado racional, procurando resistir a esse tipo de atitude, por identificar essa falha do caráter, e o seu lado irracional, revestido de toda sua bagagem sombria de manifestações inesperadas e inconsequentes, desconhecida de sua personalidade que lhe aflora, armando verdadeiras ciladas, atirando o ser nos despenhadeiros da vingança de consequências funestas.

Esses impulsos doentios, imaturos e selvagens  emergem de áreas desconhecidas do ego, que não conseguem identificação com o Ser espiritual e o induz a um trabalho de desenvolvimento perseverante da odiosidade, instaurando-lhe no imo a revolta e o desconforto ante o opositor que se lhe apresenta como um perigo constante para sua segurança, merecendo por isso ser destruído.

Este fenômeno ocorre tanto individualmente, com as pessoas, como com as Nações, dando nesse caso ensejo ao desencadeamento das guerras nefastas e hediondas, que prejudicam gerações, deixando sequelas lastimáveis em suas vítimas.

No indivíduo, esse comportamento provoca o perverso mecanismo conflitivo, que o leva ao desespero e, mesmo quando o outro já não mais lhe representa perigo algum, mesmo depois de se render ou ser aniquilado, os efeitos desastrosos da vingança não desaparecem, frustrando a quem aparentemente estaria vitorioso.

Invariavelmente neurótico, o Homem que assim age, vitimado quase sempre pela repressão consciente, que sabe-se lá como adquiriu ou, dominado pela sede do poder e da ambição, vive a competir com os demais, os quais passa a invejar por se encontrarem em melhores situações psicológicas que a dele, podendo em certos casos até aceitá-los enquanto os manipulam, tirando dessa forma proveito da situação, até que se ergam, quando então mostram suas garras nas lutas com os recursos da tirania e da insensatez. A vingança é um transtorno moral vulgar, que liberta do inconsciente as forças desordenadas que jazem ali adormecidas, irrompendo com ferocidade e ligeireza sob o estímulo do aniquilamento do inimigo.

Curioso é notar que o inimigo não é aquele que se torna combatido, mas o próprio desejo inconsciente que transfere dos refolhos da alma a inferioridade do seu Ser, que é inimigo do progresso, do bem, da ordem, para atirar noutrem, em fenômeno de projeção e que guarda internamente, detestando-o.

Ao armar-se de calúnia e de outros mecanismos de perseguição contra aquele a quem odeia, está realizando uma luta inconsciente contra si mesmo, pois que está apenas projetando o lado escuro e sombrio da sua personalidade que se lhe mantém preso à ignorância.

Fixa-se no adversário com implacável disposição de conseguir a sua extinção, do que para ele dependerá sua liberdade a partir desse momento em diante. Assim, transtornado, aplica-se com empenho em emitir ondas deletérias contra o outro, estabelecendo uma comunicação psíquica, se encontra receptividade em quem lhe padece a perseguição, o que termina por minar as forças daquele que considera seu opositor.

Além da inferioridade moral que tipifica o vingador, o seu pensamento primata, incrustado no seu consciente que vagou por anos de evolução, ainda elabora razões ponderadas que são arquitetadas pela mente em desalinho, para justificar o prosseguimento da façanha, nascidas no inconsciente pessoal profundo, que remanescem de outras existências no Eu profundo do Ser, quando se desarmonizou com o opositor que ora enfrenta e o desafia para o duelo covarde.

Em outras oportunidades, em que sua inferioridade se projeta, e não se sente devidamente capaz de competir contra valores significativos que não possui, cultiva internamente a antipatia que se avoluma a cada dia, transformando-se em fúria incontrolável que somente se aplaca quando está lutando contra aquele que o atormenta, mesmo que este não saiba, que nada tenha contra ele, pois que até ignora a situação infeliz de seu oculto adversário.

Se, por acaso, tiver a oportunidade de se harmonizar com o inimigo, não o perdoa interiormente, embora seja, na verdade, o maior merecedor de perdão, ruminando o que considera sua derrota, até encontrar novos argumentos para dar prosseguimento à sanha doentia de vingança, impelido pela sua libido atormentada.

Aqueles que se apoiam em mecanismos vingativos sempre foram vitimas de repressão infantil e juvenil, sentiram-se desprezados pelo grupo social e transferem agora suas frustrações para quaisquer outros, desde que isto lhes transformem em pessoas portadoras de poder e ambiciosos dirigentes de qualquer coisa, em que a personalidade doentia passa a ser homenageada, fruindo de destaque, embora a conduta seja esquizóide, maneirosa, falsamente humilde, ou pretensiosamente dominadora.

Os Homens que assim procedem, levados pelo sentimento desequilibrado e doentio da vingança, estarão sempre sujeitos a esgares ou convulsões epilépticas, ou mesmo a simples ausências, tornando-se personalidades psicopatas, perigosas, traiçoeiras, que sabem simular muito bem os sentimentos íntimos e urdem planos macabros sob o açodar da psique ambivalente, doentia, e com predomínio da faceta mórbida.

Todo um trabalho de elevação e aceitação deste distúrbio a que todos somos submetidos, alguns já em estado controlador, outros em estado de ações a revelia, é utilizado nos ensinamentos Maçônicos, remontando a uma lenda que lhe projeta como vivente à época, de forma que leva a erradicar pela catarse os traumas e conflitos arraigados, procurando assim alterar-lhe a conduta pessoal com base em novos valores que lhes serão apresentados de maneira afável e duradoura, não raro com a ajuda também de pesquisas e outros temas alusivos ao Grau Maçônico que almejou para a remoção de possíveis extratos morais conturbados, que se fazem necessitados de aceitação pessoal.

O amor, que tudo fazem para não desenvolver, sempre será  de grande valia, embora haja a reação inicial com desconfiança e ambivalência de conduta, gera no Maçom um clima de simpatia e amizade, normalmente difícil de ser estruturada, em razão dos muitos tormentos que o avassalam. Pois todos sabemos que só amor cobre a multidão.

“Ah! O covarde que se vinga. É assim cem vezes mais culpado do que o que enfrenta seu inimigo e o insulta em plena face”. (Capítulo XII do Evangelho Segundo o Espiritismo, Instruções dos Espíritos, item 9)

Fora, pois com esses costumes selvagens!

Fora com esses processos de outros tempos!

Todo Maçom que ainda hoje pretendesse ter o direito de vingar-se seria indigno de figurar por mais tempo na instituição que o adotou:

Sem Amor não há salvação!

Mas, não, não posso deter-me a pensar que um Maçom ouse jamais, de futuro, ceder ao impulso da vingança, senão para perdoar.

Bibliografia:

– Franco, Divaldo Pereira. O Homem Integral. Editora Peti, 2001 (psicografado)
– O Evangelho Segundo o Espiritismo. Editora Peti, 2007
– Outeiro Pinto, M.J. Do Meio-Dia à Meia-Noite. Editora Madras, 2007
– Outeiro Pinto, M.J. Entre a Compósita e a Toscana. Editora A Trolha, 2008

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